terça-feira, 9 de junho de 2026

Lula evita rejeição a Conselho da Paz de Trump, propõe mudanças e vê brecha para debater reforma da ONU

Foto: Ricardo Stukert/PR

Da Redação

Em telefonema de cerca de 50 minutos nesta segunda-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou uma negativa direta ao convite dos Estados Unidos para que o Brasil integre o Conselho da Paz criado por Donald Trump e apresentou ressalvas ao modelo proposto. Lula destacou pontos do estatuto considerados problemáticos pelo Planalto e sugeriu mudanças, como a limitação do órgão à questão humanitária e à situação da Faixa de Gaza, além da inclusão de um assento para a Palestina nos debates.

A diplomacia brasileira avalia que o formato do conselho concentra excessivo poder nos EUA, ao prever presidência fixa americana, cobrança de US$ 1 bilhão para garantir assento permanente e adesão a um estatuto fechado, sem espaço para negociação. Para o governo, trata-se de um modelo unilateral e “mercantil”, que condiciona influência política ao aporte financeiro e amplia o escopo de atuação para conflitos diversos, conforme interesses de Washington. O Brasil sinaliza que só participaria se as regras fossem renegociadas desde o início, com papel ativo na formulação do órgão.

Apesar das críticas, o Planalto enxerga na proposta de Trump uma oportunidade estratégica para recolocar em pauta a reforma do Conselho de Segurança da ONU. A avaliação é de que a iniciativa americana expõe a paralisia do sistema multilateral atual. O governo Lula pretende levar o debate à Assembleia Geral da ONU, em setembro, defendendo mudanças que democratizem a organização e alertando que, sem reformas, estruturas alternativas e unilaterais tendem a ganhar espaço no cenário internacional. Com informações do G1.

26 de janeiro de 2026, 21:00

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