Emmanuel Macron anuncia reforço nuclear e propõe escudo europeu
Da Redação
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (2) uma inflexão na política nuclear da França: o país vai ampliar seu arsenal e admite colocá-lo à disposição de aliados europeus em caso de necessidade. A decisão ocorre em meio à escalada militar no Oriente Médio e ao aumento das tensões globais.
Macron afirmou que o mundo vive um período de “agitação geopolítica cheia de riscos”, com possibilidade de conflitos ultrapassarem limites nucleares. A proposta de um “guarda-chuva” europeu já vinha sendo debatida, sobretudo diante das incertezas sobre o grau de compromisso dos Estados Unidos com a defesa do continente, mas ganhou força após os recentes ataques ao Irã.
Atualmente, apenas França e Reino Unido possuem armas nucleares na Otan. Segundo a Federação dos Cientistas Americanos, os franceses dispõem de cerca de 290 ogivas, enquanto os britânicos têm aproximadamente 225.
A maior parte do arsenal francês está embarcada em submarinos nucleares. Outra parcela, estimada em cerca de 50 ogivas, pode ser lançada por caças Dassault Rafale — considerados o meio mais viável para eventual cooperação com parceiros.
Macron citou Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica e Polônia como países informados sobre os planos, que, segundo ele, não violam princípios da Otan e foram comunicados a Londres e Washington.
Obstáculos e cenário global
Especialistas apontam limites práticos à proposta. Embora o arsenal francês seja relevante, ele é muito inferior ao da Rússia — que possui mais de 5 mil ogivas — e ao dos Estados Unidos, com número semelhante.
O debate ocorre em um momento de enfraquecimento dos acordos de controle nuclear. O último tratado estratégico entre EUA e Rússia expirou neste ano, e negociações para incluir a China em um novo pacto seguem travadas. Analistas alertam que a ausência de regras pode acelerar uma nova corrida armamentista.








