Nova concessão da BR-116 reforça movimento de crescimento econômico do Nordeste
Da Redação
A concessão da BR-116 entre Feira de Santana e Salgueiro, batizada de Rota dos Sertões, é apontada por especialistas como mais do que um projeto de infraestrutura. Com investimentos previstos de R$ 8,5 bilhões ao longo de 30 anos, a iniciativa se insere em um processo mais amplo de fortalecimento econômico do Nordeste e de redução da concentração de atividades produtivas no Sudeste.
O trecho concedido, com 502 quilômetros das BRs 116 e 324, será administrado pelo Consórcio 116 Sertões, vencedor do leilão promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O contrato prevê R$ 4,1 bilhões em obras de ampliação e modernização, incluindo duplicações, vias marginais, acostamentos, passarelas e estruturas de apoio aos usuários.
A BR-116 é considerada um dos principais corredores logísticos do país, conectando o Nordeste aos mercados consumidores e industriais do Sudeste. A expectativa é que as melhorias reduzam custos de transporte, aumentem a segurança viária e fortaleçam cadeias produtivas instaladas no interior nordestino.
Dados das Contas Regionais do IBGE mostram que a participação do Sudeste no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 4,4 pontos percentuais entre 2002 e 2023. No mesmo período, regiões como Norte e Nordeste ampliaram sua presença na economia nacional, impulsionadas por novos polos de produção agrícola, energética e industrial.
Entre os setores que podem ser beneficiados pela concessão estão o transporte de cargas, a agropecuária do Matopiba — região que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, a fruticultura irrigada do Vale do São Francisco e a cadeia de energias renováveis.
O avanço da geração eólica e solar também tem contribuído para o protagonismo econômico nordestino. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a participação dessas fontes na matriz elétrica brasileira saltou de 3,7% em 2015 para 23,7% em 2024, com destaque para estados da região.








