Empresas chinesas ampliam presença no Brasil e trazem mais de mil trabalhadores por mês
Da Redação
O avanço dos investimentos chineses no Brasil tem provocado também um aumento expressivo na chegada de trabalhadores vindos da China. Dados do Ministério da Justiça compilados pela Folha de São Paulo apontam que o país passou a registrar, desde junho de 2025, média superior a mil vistos de trabalho concedidos mensalmente a cidadãos chineses.
No primeiro trimestre deste ano, os chineses representaram 38% de todas as autorizações de trabalho concedidas a estrangeiros no Brasil. Foram 3.193 registros em um universo de 8.232 vistos emitidos no período.
O crescimento ocorre em meio à expansão de empresas asiáticas no país, especialmente no setor automotivo e industrial. Em 2023, a média mensal de autorizações para chineses era de 270. O número subiu para 625 em 2024 e chegou a 844 no consolidado de 2025, quando o total anual ultrapassou pela primeira vez a marca de 10 mil vistos.
Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, concentra parte importante desse movimento por conta da instalação da fábrica da BYD. Segundo a reportagem, mais da metade dos expatriados chineses que chegaram ao Brasil neste ano desembarcou na Bahia. Apenas a BYD foi responsável por cerca de um terço dos registros, com aproximadamente 2.700 vistos de trabalho concedidos desde o início de 2025.
Vice-presidente da montadora no Brasil, Alexandre Baldy afirmou que os profissionais chineses vêm principalmente para transferência de tecnologia e treinamento de funcionários locais.
Além da BYD, aparecem entre as empresas que mais trouxeram trabalhadores chineses ao Brasil a Falcão Engenharia, XCMG Brasil, Engenova Construções e a GWM.
A presença dos expatriados já provoca impactos diretos na economia de Camaçari, movimentando hotéis, aluguel de imóveis e novos empreendimentos residenciais voltados aos trabalhadores estrangeiros.
O tema também gerou repercussão nas redes sociais e discussões sobre mercado de trabalho local. Sindicalistas afirmam que há queixas de operários brasileiros sobre preferência por estrangeiros em algumas funções, embora representantes do setor neguem substituição significativa de mão de obra local.
A reportagem da Folha também relembra o caso investigado pelo Ministério Público do Trabalho em 2024, quando 163 trabalhadores ligados a obras da BYD foram resgatados em situação considerada análoga à escravidão. Posteriormente, a empresa e terceirizadas firmaram acordo de R$ 40 milhões com o órgão trabalhista.








