quinta-feira, 25 de julho de 2024

O jornalismo brasileiro perde sua Glória – por José Falcón Lopes

Foto: Reprodução

José Falcón Lopes

O Brasil perdeu nesta quinta-feira, 02 de fevereiro de 2023, a jornalista Glória Maria.

Primeira repórter a fazer entrada ao vivo no Jornal Nacional ainda na década 1970, depois pioneira na apresentação do Fantástico e do Globo Repórter, Glória Maria marcou mais de uma geração de jornalistas no audiovisual brasileiro e nunca precisou afirmar duas coisas óbvias que sempre estiveram na cara de todos: Glória era uma mulher negra que nunca precisou se valer do gênero nem da cor de pele pra mostrar seu valor.

Conquistou seu lugar ao sol por competência profissional, como deve ser numa sociedade que não encara o outro como um opressor, um inimigo, mas como um colega que pode nos acrescentar justamente no que nos falta.

Carioca da gema, nascida em Vila Isabel, Glória Maria era tradução viva dos versos de Noel: “Lá em Vila Isabel, quem é bacharel não tem medo de bamba”.

Numa época tão carente de boas referências profissionais e éticas, sem vitimismo oportunista, Glória Maria vai fazer muita falta.

Feminina, elegante, inteligente, voz suave levemente carioca, com textos curtos e claros, questionadora e sempre muito educada, Glória Maria era equilíbrio. Glória Maria era referência.

E parte num ensolarado Dia de Iemanjá, um dia muito especial para as religiões de matriz africana no Brasil. Glória Maria já faz muita falta e deixa muita saudade.

José Falcón Lopes é jornalista.

02 de fevereiro de 2023, 10:16

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