Reunião entre Flávio José e MPBA sobre cachês de São João termina sem acordo
Da Redação
A tentativa de acordo entre o cantor Flávio José e o Ministério Público da Bahia terminou sem avanços. Em reunião realizada na segunda-feira (8), representantes do artista e do órgão discutiram os valores dos contratos para apresentações juninas, mas não chegaram a um entendimento, mantendo o clima de tensão em torno da participação do forrozeiro nos festejos do estado.
Em entrevista ao jornal A Tarde, a promotora Rita Tourinho, que participou das negociações, disse que o encontro não resultou em consenso porque o artista não concordou com qualquer alteração nos valores previamente estabelecidos para seus shows.
“Não aceita reduzir nenhum real do contrato dele”, afirmou a representante do Ministério Público ao comentar o desfecho da reunião.
O impasse ocorre em meio a uma série de recomendações encaminhadas pelo MPBA a prefeituras baianas para que observem critérios de razoabilidade nos gastos com atrações artísticas contratadas com recursos públicos. A orientação considera os valores pagos em anos anteriores, atualizados com base na inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
De acordo com Rita Tourinho, diversos artistas de renome nacional aceitaram dialogar com a instituição sobre os contratos firmados para o período junino.
“Isso coloca o Ministério Público em uma situação complexa, porque nós já fechamos acordo com diversos artistas que também são consagrados, como Adelmário Coelho, que é a nossa prata da casa e tem acordo com o MPBA. Amado Batista, Elba Ramalho e Alceu Valença também. Os empresários deles sinalizaram que estão de acordo”, revelou.
A promotora afirmou ainda que houve tentativas de construção de alternativas durante a negociação e que sugestões apresentadas pelos próprios representantes do cantor acabaram não sendo aceitas.
“Nós sentimos muito. Sabemos a importância de Flávio José. E não houve nenhuma medida judicial envolvendo Flávio, mas ele entende que não vai tocar na Bahia em função disso. Nós fizemos todos os esforços que podíamos fazer”.
Para o Ministério Público, não há mais espaço para novas negociações neste momento. “O Ministério Público esgotou todas as vias de diálogo, mas ele, infelizmente, não abriu para nenhum tipo de diálogo.”
O órgão sustenta que a fiscalização busca evitar aumentos considerados excessivos nos cachês pagos por administrações municipais. Segundo o MP-BA, a média das contratações artísticas durante os festejos juninos apresentou crescimento expressivo nos últimos anos, saltando de cerca de R$ 200 mil para aproximadamente R$ 700 mil.
Até agora, mais de uma centena de municípios recebeu recomendações relacionadas às contratações de artistas para o São João. Entre eles estão cidades que anunciaram apresentações de Flávio José ao valor de R$ 350 mil por show, montante que representa um acréscimo de R$ 100 mil em relação ao cachê informado no ano anterior.
A promotora também destacou que a instituição ampliou os canais de transparência e diálogo com o setor artístico, permitindo inclusive que empresários registrem diretamente os contratos no Painel da Transparência dos Festejos Juninos.








