Dilma diz a Moro que empresas não podem ser punidas por erros de seus dirigentes
A ex-presidente Dilma Rousseff disse hoje (27) que empresas não podem ser punidas pelos erros de seus dirigentes, durante depoimento em videoconferência ao juiz federal Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná. Ela depôs como testemunha de defesa do ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine.
“Era um assunto presente para o governo, nós discutíamos leniência. Achávamos que a gente tem de punir executivos e funcionários que pratiquem maus feitos. Agora, as instituições são produtos sociais; elas não podem ser punidas”, disse.
A ex-presidente citou a Siemens como exemplo de empresa internacional que já foi investigada algumas vezes por atos de corrupção de seus executivos, mas foi protegida como instituição ao longo dos processos investigativos.
“A mesma coisa era a nossa preocupação. Nós tínhamos, de fato, uma preocupação pública em relação a construir as condições de leniência para que os processos tivessem punição dos responsáveis, mas que se salvasse as empresas de engenharia desse país, que são elementos essenciais da nossa competitividade, e ainda são”, ressaltou.
Dilma foi questionada sobre a relação do governo com o Grupo Odebrecht, empresa que costumava contribuir para as campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores. “Eu acredito que o Grupo Odebrecht, como qualquer outro grupo, merecia toda a atenção do governo. Tínhamos uma relação de grande interesse; não por eles contribuírem ou não para a campanha, mas pela importância que o grupo tinha, e acredito que ainda tem, na economia brasileira”, disse a ex-presidente.








