quarta-feira, 13 de maio de 2026

Discurso de formatura de Geddel virou livro com crítica aos que “zelam por fortunas”

Da redação

O repórter Felipe Frazão do Estadão em Brasília teve a paciência de ler o único livro que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), “escreveu”. Preso na Papuda, depois de que a PF encontrou cerca de R$ 52 milhões em dinheiro em um apartamento na Graça com as digitais do próprio Geddel, O livreto de 10 páginas se encontra na biblioteca da Câmara dos Deputados, mas é na verdade a compilação do discurso de formatura de Geddel. “O título Visão Contemporânea da Sociedade sugere mais profundidade analítica do que as 10 páginas da obra literária de Geddel guardam. Sem editora conhecida, o livreto é raro. Um dos exemplares jaz esquecido na Biblioteca Pedro Aleixo, da Câmara dos Deputados. Divide a prateleira com livros de autores que traçam análises sociológicas bem mais complexas, como Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. O livro de Geddel nunca despertou muito interesse. Foi emprestado a um único leitor, em julho de 1998, pelo que se depreende do registro de devolução na última página”, relata Frazão.

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O repórter conta que na cerimônia de formatura em administração de empresas, nos idos de 1981, Geddel criticou a elite que cuidava mais do seu dinheiro do que do bem estar popular. “Quase sempre é a organização política, social e econômica, implantada à revelia da vontade popular, com o desprezo dos mais comezinhos princípios democráticos, ensejadora do surgimento de ditadores que se arvoram em juízes dos destinos do povo, quando na verdade não passam de advogados de grupos e oligarquias, que integram e representam, e zelam pelas suas fortunas, esquecendo-se de cuidar do bem-estar da vida na terra”, disse na cerimônia que reuniu também os bacharéis em Ciências Contábeis. Segundo a reportagem, tal discurso constrangeria o hoje ministro preso. Geddel no discurso, então com 22 anos de idade, trata da redemocratização do país, quando o general Figueiredo promoveu o pluripartidarismo e de outros temas atuais como a escassez e destruição dos recursos naturais e a ameaça do crescimento demográfico.

“A anarquia e o desespero ameaçam o futuro da humanidade”, refletiu. “É chegado o momento da afirmação democrática… Urge restaurar a nossa democracia (…) efetivá-la e realizá-la, purificando-a e extirpando do seu seio a incompreensão, a violência, o arbítrio e a intolerância que não a vivificam nem a fecundam, porém a negam e sepultam”, escreveu. Hoje, a situação de Geddel é desesperadora.

30 de outubro de 2017, 12:02

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