segunda-feira, 11 de maio de 2026

Carros da Uber ameaçam reinado dos icônicos táxis amarelos em Nova York

Folha de São Paulo

No trânsito da hora do rush, Aziz Ahmed acelerou seu táxi amarelo para pegar o último passageiro do dia. Quando chegava perto, outro motorista passou na frente, indiferente ao berro das buzinas atrás dele, e ofereceu a mesma corrida ao rapaz na calçada por metade do preço.

Era um carro da Uber que fechou Ahmed, querendo garantir a todo custo mais um cliente no congestionamento infernal que engessava Manhattan naquele entardecer.

“Se eu faço isso, sou multado. Eu brigava muito antes, mas vi que não vale a pena”, dizia, com ar de tristeza, o taxista que há três décadas dirige pelas ruas de Nova York. “Precisamos rodar cada vez mais a cidade para pegar o mesmo número de clientes. Faz uns dois anos que eu trabalho muitas horas a mais.”

Muitos dos amigos de Ahmed, um imigrante de Gana que construiu sua vida na maior cidade americana com o dinheiro que ganhou no volante do táxi, reclamam das mesmas coisas. Alguns migraram para a Uber e outros aplicativos, como Via, Lyft, Gett e Juno, enquanto vários deles desistiram do negócio de transporte de passageiros.

Em julho deste ano, pela primeira vez na história, mais nova-iorquinos usaram carros da Uber do que o táxi tradicional –enquanto a prefeitura impõe um teto de 13,6 mil táxis, reflexo de uma lei da década de 1930 para evitar congestionamentos, carros particulares a serviço dos aplicativos passam de 63 mil.

O domínio da Uber, por exemplo, antes restrito a Manhattan, agora já se alastrou pelos cinco distritos nova-iorquinos. No Bronx, o número de viagens quintuplicou de um ano para cá, e a demanda em bairros como Queens e Brooklyn responde por metade do negócio.

Esse declínio dos táxis frente a serviços contratados via celular não é exclusividade de Nova York. Mas o risco de extinção dos famosos “yellow cabs” tem um impacto na psique e na paisagem visual da maior metrópole dos Estados Unidos –é um símbolo da cidade que está trocando a rua pela garagem.

26 de novembro de 2017, 16:23

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