Após três anos, PF chega a autor de fake news em eleição
Na véspera das eleições de 2014, uma notícia da internet gerou um enorme burburinho no Espírito Santo. Um site que mimetizava um dos portais de notícias mais conhecidos do estado publicou o resultado de uma suposta pesquisa em que o então candidato à reeleição ao governo do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), aparecia com 52,3% das intenções de votos enquanto o seu concorrente, Paulo Hartung (MDB), corria atrás com 39,8%. Todas as outras pesquisas indicavam justamente o contrário naquele momento.
A notícia falsa logo se alastrou pelas redes sociais. No dia seguinte, antes da abertura das seções de votação, a equipe de Hartung desmentiu os boatos sobre a suposta virada e fez um comunicado de crime às autoridades. O caso virou uma investigação da Polícia Federal – uma das primeiras do país a envolver eleições e fake news. O inquérito, ao qual VEJA teve acesso, foi concluído quase três anos depois, em julho do ano passado, com o indiciamento de um empresário, apontado como o responsável pela notícia mentirosa e pela página que a difundiu.
Para chegar a ele, os policiais seguiram os rastros da internet. Acabaram chegando ao computador a partir do qual o site foi criado. Pelo registro, constataram que aquela mesma máquina havia sido usada para criar outras quatro páginas. Todas elas tinham como responsável o tal empresário, que já havia trabalhado no gabinete de um deputado estadual do mesmo partido de Renato Casagrande e costumava compartilhar, em suas redes sociais, textos favoráveis ao então candidato. O inquérito não encontrou evidências da participação de Casagrande na trama.








