segunda-feira, 22 de junho de 2026

Sínodo da Amazônia propõe ordenação de homens casados, diaconisas e conceitua ‘pecado ecológico’

Foto: Divulgação/Vaticano

Redação

O documento final do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, que terminou neste sábado (26), diz que a defesa da Amazônia depende de uma “conversão ecológica e cultural”, passando pelo combate ao “pecado ecológico”.

Entre os temas mais polêmicos, o Sínodo também propõe a ordenação de homens casados, em alguns casos, para suprir a falta de padres na Amazônia. Os participantes do encontro pedem para participar da discussão sobre o diaconato feminino na Igreja com suas experiências.

O diácono é um ministro dedicado ao serviço na Igreja e está um grau abaixo de um padre (não pode celebrar missas, ouvir confissões nem ungir os enfermos). Atualmente, só homens podem ser diáconos, mas há evidências de que mulheres realizaram serviços parecidos no passado.

O texto final do Sínodo sobre a Amazônia foi votado por 181 participantes que têm direito a voto, os chamados “padres sinodais”. Durante a votação do documento, todos os parágrafos receberam maioria de dois terços de aprovação. Os que causaram mais discórdia foram justamente os parágrafos que tratam dos padres casados e das mulheres diaconisas.

Destaques

O conceito de “pecado ecológico” como uma “ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade e o ambiente” e o chamado à conversão e o cuidado da “casa comum”, isto é, o planeta Terra.

Para isso, é preciso promover uma “ecologia integral como único caminho possível”. A ideia é não separar as questões ecológicas dos problemas sociais.

Proposta de criação de um observatório da Igreja para denunciar problemas ambientais e sociais, promovendo a “defesa da vida” e “defendendo os direitos dos mais vulneráveis”.

Pedido de maior mobilização da comunidade internacional para destinar recursos econômicos para a proteção da floresta e para a promoção de “um modelo de desenvolvimento justo e solidário” na Amazônia.

O texto faz fortes denúncias dos crimes contra os direitos humanos na Amazônia, dizendo que há “impunidade na região com relação a violações” desses direitos e “obstáculos para obter justiça”.

Proposta de ordenação de homens casados nas zonas remotas da Amazônia para suprir a falta de padres. O texto diz que algumas regiões passam meses e anos sem a missa. Embora continuem “apreciando o celibato como dom de Deus”, os bispos do Sínodo propõem “ordenar homens idôneos e reconhecidos da comunidade” que já sejam diáconos permanentes, mesmo que tenham uma família.

Há menção sobre o reconhecimento do “papel fundamental das mulheres” nas comunidades da Amazônia e um pedido para que líderes da região possam participar da discussão sobre a implantação do diaconato feminino.

27 de outubro de 2019, 07:32

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