Exaltado, Bolsonaro se diz vítima de “patifaria” da Globo e acusa Witzel de vazamento
Redação
Após reportagem do Jornal Nacional de ontem (29), o presidente Jair Bolsonaro fez uma live pelo Facebook, de pouco mais de 20 minutos, em que aparece exaltado criticando a relação feita a seu nome no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.
Em um quarto de hotel em Riad, na Arábia Saudita, pouco antes das 4h da madrugada, hora local, Bolsonaro disse que está sendo vítima de uma “patifaria” da Globo, que está “trabalhando para derrubá-lo”. O presidente, que estava em Brasília no dia em que ocorreu o assassinato, negou que teria autorizado Élcio Queiroz a entrar em sua casa. Reiterou que sua esposa, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, tampouco, não permitira a entrada de um “estranho” no condomínio
Bolsonaro se colocou à disposição o delegado que comanda o caso na Polícia Civil do Rio para colocar “em pratos limpos” aquilo que “está acontecendo”. Ele ainda acusou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), seu ex-aliado, de vazar informações sobre a investigação com a intenção de prejudicá-lo.
“Esse processo está em segredo de justiça. Como chega na Globo? Quem vazou para a Globo? Segundo a Veja, quem vazou foi o seu governador Witzel. Ele que explique. O que cheira isso aqui? O que parece? Que ou o porteiro mentiu ou induziram o porteiro a produzir falso testemunho. Ou escreveram algo no inquérito que ele não leu e assinou embaixo em confiança ao delegado ou a aquele que foi ouvi-lo na portaria”, apontou.
Bolsonaro não poupou críticas a Globo. Disse que não conversaria mais com a TV da família Marinho, fez ameaças à renovação da concessão pública em 2022 e chamou, por diversas vezes, os profissionais de “canalhas” e “patifes”. “Deixem eu governar o Brasil”, apelou.
Minutos depois da live, sua conta oficial no Twitter publicou uma imagem em que a logo da Globo aparece como uma saída de esgoto.
CANALHAS! pic.twitter.com/THbGVEbasE
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) October 30, 2019
Respostas
Em resposta, o governador Wilson Witzel diz lamentar a manifestação “intempestiva” de Bolsonaro e nega qualquer interferência nas investigações do caso Marielle.
“Lamento profundamente a manifestação intempestiva do presidente Jair Bolsonaro. Ressalto que jamais houve qualquer tipo de interferência política nas investigações conduzidas pelo Ministério Público e a cargo da Polícia Civil. Em meu governo, as instituições funcionam plenamente e o respeito à lei rege todas nossas ações.
Já a Globo também se manifestou por meio de nota e reforçou que não fez acusações diretas ao presidente com relação à participação no caso Marielle.
“A Globo não fez patifaria nem canalhice. Fez, como sempre, jornalismo com seriedade e responsabilidade. Revelou a existência do depoimento do porteiro e das afirmações que ele fez. Mas ressaltou, com ênfase e por apuração própria, que as informações do porteiro se chocavam com um fato: a presença do então deputado Jair Bolsonaro em Brasília, naquele dia, com dois registros na lista de presença em votações”, conclui a nota.
Moro
Bolsonaro afirmou hoje, segundo o UOL, que está conversando com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para que o porteiro do condomínio onde tem uma casa no Rio de Janeiro possa ser ouvido novamente em depoimento na investigação do caso.
“O porteiro se equivocou, ou não leu o que assinou. Pode o delegado [da Polícia Civil] ter escrito o que bem entendeu e o porteiro, uma pessoa humilde, né, acabou assinando embaixo. Isso pode ter acontecido. Estou conversando com o ministro da Justiça, o que pode ser feito para a gente tomar, para a polícia pear o depoimento novamente. O depoimento desse porteiro pela PF”.








