Turista mantém viagem ao Nordeste, mas troca o peixe por carne de sol
A chegada de manchas de óleo nas praias do litoral nordestino desde o dia 30 de agosto mudou os hábitos dos turistas. Em boa parte dos locais atingidos com maior intensidade pelo petróleo, os mergulhos de mar foram trocados por banhos de piscina nos hotéis e pousadas, e o cardápio de peixes e outros frutos do mar foi substituído por carnes e aves. A Folha de S. Paulo fez o referido levantamento.
No último dia 25, o resort Iberostar, em Praia do Forte, no litoral norte da Bahia, registrava 98% de ocupação, mas eram raros os hóspedes que arriscavam mergulhar no mar, atingido por óleo dias antes.
Na ilha de Boipeba, em Cairu (a 176 km de Salvador), turistas evitavam o mar mesmo sob um calor de 30°C, e andavam com garrafa de água nas mãos para tirar os resquícios de óleo da pele.
Na sexta-feira (1º), a as praias Pontal de Maracaípe, Cupe e de Muro Alto, em Pernambuco, atingidas por fragmentos de petróleo há 15 dias, ainda registravam movimento abaixo do normal.
“Não adianta mentir. O movimento caiu, sim. É só olhar em volta. As pessoas ficam com medo por causa das notícias”, diz Juvenal dos Santos, dono de um bar e restaurante na praia de Maracaípe, segundo a Folha.
Em Porto de Galinhas, cercada por praias onde o óleo chegou com força há 15 dias, o mar estava cheio na sexta-feira (1°). Nas piscinas naturais, ponto famoso da região, o clima era de normalidade.
Em Jacuípe, no litoral norte da Bahia, os barraqueiros sentiram um baque nas vendas de pratos com frutos do mar.
“Até o pobre do caranguejo que era o carro-chefe de Jacuípe não está saindo nada. Por enquanto, está saindo só prejuízo”, diz Anderson Carvalho, 22, comerciante e pescador.
A situação é a mesma em Itapuama, no litoral sul de Pernambuco, onde os clientes sumiram depois que o óleo chegou .”São 16h e só uma pessoa sentou aqui na minha barraca. Parou tudo. Faz oito dias que o movimento é zero”, conta o barraqueiro Luciano José de Souza, que ganha a vida vendendo peixe e cerveja na praia.
Em Porto de Galinhas, a comerciante Conceição Nunes, que veio de Brasília para descansar no litoral pernambucano, não comeu peixe. “Eu amo peixe, mas não posso arriscar. Pedi carne de sol com batatinha mesmo.”
O presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) em Pernambuco, André Luiz Araújo, diz que há uma mudança de comportamento dos consumidores, que trocaram o peixe pela carne ou ave. A mudança aconteceu a despeito de 70% dos peixes consumidos em Pernambuco serem da região Norte. “Os produtos vendidos em restaurantes têm selo de inspeção federal”, alegou.
Em geral, não houve um movimento forte de cancelamentos de reservas em hotéis e pousadas, relatam as associações do setor. Os hotéis de Salvador fecharam outubro com 67% de ocupação. No mesmo mês do ano passado, a ocupação era de 61%.








