sábado, 13 de junho de 2026

Sobrevivente da chacina que matou quatro motoristas de aplicativo conta momentos de terror

Foto: Reprodução/TV Bahia

O sobrevivente da chacina na última sexta-feira (13), que deixou quatro motoristas de transporte por aplicativo mortos em Salvador, deu seu relato do que viu no local do crime e de como conseguiu escapar dos criminosos, durante entrevista exibida hoje (16) pela TV Bahia.

Aquela tinha sido a segunda corrida dele no dia. “Quando cheguei na entrada do Santo Inácio, o GPS acusou uma rua à esquerda, em frente à entrada do Santo Inácio. Uma rua de barro, meio sinistra. Eu falei pro cliente: “É essa rua mesmo?” Ele falou: “Sim” . venha até o final da rua. Eu digo: “Infelizmente eu não posso entrar, por minha segurança eu tenho que sair”. Ele falou: “Venha me encontrar no caminho”. Eu simplesmente desci com o bico. Tirei o bico do carro da rua e desci de frente. Quando veio um travesti e um homossexual, né? E eu perguntei: “É pra Silvio?” Ele falou: “É”. Entraram no carro, já me abordando com a pistola no meu pescoço e um 38 [revolver] no meu roso. E falou: segue, segue, segue. Eu segui até o final da rua, tinha um campo onde já tinha outro rapaz, outro meliante com a pistola”, contou.

A vítima disse que chegou a perguntar a um homem, chamado de Coroa pelos comparsas, o porquê do crime. “Irmão, por quê? Eu sempre trabalhei de Uber, não discrimino quem quer que seja. E teve o Coroa me respondeu: “Mataram toda minha família e eu vou matar vocês. A todo momento eu percebia que eles tinham a intenção só de matar. Porque eles deixavam ver o rosto deles. Diziam: Olhe pra mim. Olhe pra mim, que você vai pro inferno primeiro e depois, num dia a gente se encontra lá na frente”, contou.

Segundo o sobrevivente, depois da resposta de um dos suspeitos, ele pediu para conversar com Deus e teve o pedido aceito. No momento que o motorista rezava, a vítima, identificada como Genivaldo da Silva Félix, de 48 anos, tentou reagir e ele conseguiu fugir.

Barranco

A vítima contou à TV Bahia que, na fuga, pulou em um barranco e se escondeu na lama para despistar os criminosos, que o perseguiram.

Ele contou que conseguiu chamar a polícia após chegar em área do presídio de Salvador, que fica no bairro da Mata Escura, próximo do local onde aconteceu o sequestro. “Quando eu cheguei no final [do barranco], eu vi os cachorros latindo e Deus falando, ‘os cachorros vão ser sua salvação, porque com certeza o segurança vai ouvir os cachorros latindo’. Quando eu cheguei próximo aos cachorros latindo já era a parte de cima em plano e não aguentava andar e Deus falava ‘levante que você vai voltar para casa, use toda a força que você tem'”.

Nesse momento, a vítima contou aos policiais que foi sequestrado e que os criminosos tinha atirado nos outros motoristas.

“Foi o momento que primeiro eu ouvi os gritos, quando estava subindo e depois eu ouvi os tiros. Eu falei, eles estão matando os meus amigos. Eles me sequestraram, aí foi que o segurança me levou para a portaria, chamou apoio, aí a polícia chegou, foi o momento que eu dobrei o meu joelho e agradeci a Deus, que só Deus das causas impossíveis pode me salvar “, disse o sobrevivente.

16 de dezembro de 2019, 15:09

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