domingo, 14 de junho de 2026

Karina Buhr relata ataques após denuncia de estupro cometido por líder religioso

Foto: Divulgação

Redação

No último dia 23, a cantora Karina Buhr relatou ter sido estuprada, há cerca de 20 anos, por um famoso babalorixá de Pernambuco. O relato foi feito pela cantora dias depois de Pai Dito D’Oxóssi morrer, por conta de uma parada cardiorrespiratória.

No relato, Karina conta que quase morreu nas mãos dele, e que o babalorixá usou sua autoridade para “escravizar” sua “mente e corpo”. A artista recebeu inúmeras mensagens de apoio após o relato de estupro. No entanto, Karina Buhr conta que também vem sendo alvo de ataques.

Ela chegou a escrever ontem (24) que é preciso “parar com esse mito de quem estupra é só homem de direita, sacerdotes do Vaticano, pastores milicianos e os bolsominions. O estupro está em todos os lugares, inclusive em todas as religiões”.

Horas depois, Karina Buhr escreveu: “Tava muito bom pra ser verdade receber praticamente só amor. Agora que a guerra começou, pelo visto. E já tá vindo chumbo grosso. Dói demais. Me desejem sorte, porque feliz natal não vai rolar”.

O relato

Dito D’Oxossi tinha 57 anos e era vocalista do Ylê de Egbá. Ele morreu no dia 15. Em seu texto, Karina conta, que além do crime sexual, o líder religioso praticava crimes de extorsão. Segundo a cantora, ele telefonava, sempre usando uma entidade ou orixá como motivo para conseguir quantias de dinheiro em tempo mínimo.

Reprodução/TV Globo

“Certa vez consegui com meu pai 5 mil reais ‘pra gravar um disco’ (depois de muita conversa e promessas de que pagaria num prazo) e entreguei no mesmo dia nas mãos de Dito. Nesse dia ele me telefonou umas 6h da manhã, ‘Malandrinho precisa de 5 mil reais até às 18h de hoje. Ele não pode falar para o que é’. E lá ia eu, assustada e tensa, atrás da fortuna. Meu pai passou anos me cobrando esse disco que nunca veio e também a devolução prometida. Dói ele ter morrido sem eu ter esclarecido isso”.

Karina conta que decidiu denunciar Pai Dito após começarem a surgir denúncias contra João de Deus, no final de 2018. A cantora conta que fez a denúncia de estupro no Ministério Público de Pernambuco, mas não tinha tornado público até então por medo de retaliações.

“Certamente ouvirei que não estou respeitando a família num momento de dor. Respeito sim. Respeito a dor de cada um deles e de todos que consideravam Dito como pai. E peço que também respeitem a minha dor, que já dura mais de 20 anos. Ele, como babalorixá, me chamava de filha e usou sua força e autoridade dentro desse contexto pra escravizar minha mente e meu corpo”.

25 de dezembro de 2019, 11:12

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