‘O Brasil corre o risco de ser uma ex-nação’, diz Ciro Gomes
Da Redação
“Uma contribuição pessoal a uma reflexão inadiável sobre o Brasil, as raízes de seus problemas e as pistas para sua solução”. É desta forma que o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) define o seu novo livro “Projeto Nacional: O dever da esperança”. Ao Correio*, ele falou sobre o novo livro e disse que a obra oferece um roteiro de trabalho para “devolver ao Brasil a esperança, a possibilidade de o país voltar a acreditar na política como uma forma de chegar a um futuro melhor”.
Sobre o projeto nacional de desenvolvimento do país proposto no livro, Ciro afirmou: “A ideia básica é que o Brasil precisa de um projeto. O Brasil precisa voltar à crença de que a nossa tarefa precisa ser planejada. Este planejamento não precisa ser um dirigismo estatista ao modo soviético, evidentemente que não. O Brasil corre o risco de ser, pela primeira vez na história, uma ex-nação. Projeto como metodologia, como processo de construir um país que a gente sonha a partir da realidade que temos, comprometido com o desenvolvimento e com a percepção de onde estamos no mundo e sobre a miséria. Não é mais possível a gente fazer de conta que miséria será resolvida com políticas sociais compensatórias, por mais generosas que elas sejam”.
Questionado pelo Correio*, sobre onde entra o papel do Estado nessa questão, Ciro disse: “O estado entra como catalizador deste projeto. O estado, pela sua liderança democraticamente constituída, deve liderar esse processo. Não há outro ente que tenha legitimidade para fazer isso. É o estado que tem que coordenar este projeto, identificar as potencialidades do país, as oportunidades, assessorar o empreendedor brasileiro às práticas tecnológicas de vanguarda, de ponta”.
Impeachment
Em um dos momentos da entrevista, o repórter questionou a Ciro se ele acha que tem clima político para um impeachment. “Hoje, Bolsonaro ainda tem um terço da população lá pro sul do país e um quarto da população do sudeste, norte e centro-oeste. Com essa base, os políticos não têm sensibilidade para fazer o impeachment. Mas se esse cenário de pandemia e de desastre econômico se agravar, a democracia vai ter que ter uma saída e é preciso amadurecer essa saída porque ele [Bolsonaro] vai tentar o golpe”, afirmou.








