sábado, 13 de junho de 2026

Exclusivo – Diretor da Orbi Química comenta polêmica com Caetano Veloso: “Fomos vítimas de fake news, difamados”

Foto: Divulgação

Reportagem Toda Bahia

Indústria das áreas automotiva e de construção, a Orbi Química estava prestes a implantar sua primeira fábrica na Bahia em Santo Amaro, no Recôncavo. Por lá, a expectativa era que fossem gerados mais de 100 empregos diretos e uma centena de indiretos, até que foi iniciada uma verdadeira novela que começou local e ganhou proporção nacional com a participação do cantor Caetano Veloso.

O ápice do imbróglio foi quando a Câmara Municipal de Santo Amaro rejeitou a instalação da fábrica após ampla repercussão do posicionamento de Caetano, que disse em vídeo divulgado nas redes sociais ser contra a implantação da unidade devido a “riscos químicos”.

A Orbi acabou permanecendo na Bahia e foi para Camaçari, após convite feito pelo prefeito do município, Elinaldo Araújo (Democratas). Nesta entrevista, o diretor geral da Orbi Química, Rogério Seabra, conta os bastidores da negociação, diz que a empresa foi procurada por cidades de Minas Gerais e Pernambuco e comenta a polêmica criada em torno das declarações de Caetano Veloso, que é de Santo Amaro.

“Não geramos poluição sonora ou atmosférica. Mais do que repercussão, em nosso entendimento, o que houve foi um ato político. Fomos vítimas de fake news, difamados e tratados como malditos, inclusive na melodia do cantor e compositor”, afirmou Seabra.

Confira a entrevista completa:

1. Após a Câmara de Santo Amaro ter rejeitado a instalação da Orbi, houve convites de outras cidades, além de Camaçari? O que pesou na decisão de levar a Orbi para Camaçari?

Rogério Seabra – Sim, houve, e ainda há, o contato de uma série de municípios, inclusive de outros estados como Pernambuco e Minas Gerais. Recebemos contato de 7 cidades, através de telefone ou e-mail, iniciando no dia 28/7 após a sessão da Câmara de Santo Amaro (que rejeitou a instalação da fábrica). Contudo, o mais contundente e proativo foi oriundo de Camaçari que partiu do próprio prefeito Elinaldo me ligando diretamente e colocando o município e seu secretariado à disposição logo no dia seguinte, após saber exatamente o que fazemos e o que necessitávamos. Camaçari possui toda a infraestrutura para receber a Orbi e está tão bem localizada quanto outros municípios que prospectamos inicialmente.

2. Houve uma certa confusão em relação à linha de produção da Orbi, que, segundo a prefeitura de Camaçari, é limpa. O caso acabou ganhando muita repercussão após o posicionamento do cantor Caetano Veloso. Qual a avaliação da Orbi sobre esta repercussão?

Rogério Seabra – Sim, a linha de envase da Orbi é muito limpa. A nossa geração de resíduos é muito baixa, e de valor agregado alto como papelão e aparas de plásticos. E os materiais que precisam de limpeza para serem reaproveitados são destinados a empresas especializadas que fazem a limpeza e o reprocessamento. Não geramos poluição sonora ou atmosférica. Mais do que repercussão, em nosso entendimento, o que houve foi um ato político. Fomos vítimas de fake news, difamados e tratados como malditos, inclusive na melodia do cantor e compositor. Se estivéssemos do outro lado, com certeza, a nossa posição seria bem diferente, de primeiramente entender o que está acontecendo e depois fazer juízo e/ou tomar partido.

3. Do ponto de vista financeiro, a empresa terá que investir mais com a implantação da fábrica em Camaçari e não em Santo Amaro?

Rogério Seabra – Pelo contrário, provavelmente o investimento seja até menor, em razão de ter, por exemplo, mais mão de obra disponível e uma gama maior de prestadores de serviços à disposição. Além disso, as áreas que estamos prospectando não precisam de nenhum outro cuidado como as ruínas que existiam naquela área de Santo Amaro e que iríamos muito bem cuidar, já que tinha uma história tão rica.

4. Como está o processo de implantação em Camaçari?

Rogério Seabra – Está muito bem adiantado. Já temos várias plantas disponíveis e em análise para a instalação prévia, assim como estamos avaliando terrenos maiores para a instalação definitiva. Estamos também já preparando todos os memorandos descritivos da nossa operação a fim de termos as licenças necessárias no estado e município. Temos um profissional fulltime dedicado a isso em Camaçari.

5. Levando em consideração as características de Camaçari, que já tem um polo industrial, o senhor acredita que a Orbi ficará melhor instalada neste município?

Rogério Seabra – Alguns insumos que consumimos são oriundos do polo e podemos ter mais agilidade com isso, mas as outras opções não estavam tão distantes também.

6. A vinda da empresa para a Bahia aponta para um processo de ampliação das atividades no Nordeste. Há previsão de implantação de novas unidades?

Rogério Seabra – Sim, estamos num projeto de ampliação em âmbito nacional. Estas ações foram traçadas em nosso plano estratégico no ano passado. Recentemente inauguramos um centro de distribuição no sul do país e que até o final do ano também já estará envasando alguns produtos de nossa linha.

04 de agosto de 2020, 17:40

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