quarta-feira, 13 de maio de 2026

Deputado diz que sua meta é provar que ‘há corrupção’ no governo Bolsonaro

Foto: Câmara dos Deputados

Da Redação

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), responsável por levar suspeitas de corrupção na compra de vacinas da Covaxin ao presidente Jair Bolsonaro, afirmou ao Estadão ter recebido uma oferta de propina para agilizar a contratação do imunizante indiano no Ministério da Saúde. Ele diz que a proposta partiu de Silvio Assis, um lobista conhecido em Brasília, próximo do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR). Segundo Miranda, ele recusou a oferta.

Segundo Miranda, a oferta feita por Assis foi de 6 centavos de dólar para cada dose de vacina vendida, o que daria US$ 1,2 milhão (R$ 6 milhões, na cotação atual) no caso das 20 milhões de doses de Covaxin que o Ministério da Saúde negociou. “Quero provar que no governo Bolsonaro, debaixo do nariz de todo mundo, o Ministério (da Saúde) está entranhado de corrupção. A partir de agora minha meta é essa, provar que existe sim corrupção no Ministério da Saúde e que desde o princípio eu falei a verdade”, afirmou o deputado.

O presidente Bolsonaro, que desde as primeiras suspeitas envolvendo a compra de vacinas tem repetido “não haver corrupção em seu governo”, mudou o tom da conversa na terça-feira (28), quando afirmou não ter como saber o que acontece nos ministérios.

Segundo o Estadão, a conversa de Miranda com Assis aconteceu durante evento na casa do lobista, no Lago Sul, área nobre da capital federal, no dia 31 de março. Onze dias antes, o deputado havia se reunido com Bolsonaro, ao lado do seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Fernandes Miranda, para relatar suspeitas de corrupção no processo de compra da Covaxin. Luis Ricardo disse ter sofrido pressão atípica de seus superiores na pasta para acelerar a contratação e se recusou a assinar um documento que previa pagamento antecipado pelas doses.

Na ocasião, segundo relatou o deputado, o presidente atribuiu as suspeitas a “mais um rolo” de Barros, que é ex-ministro da Saúde e atual líder do governo na Câmara. Ainda segundo Miranda, Bolsonaro disse que acionaria a Polícia Federal para investigar o caso, mas nenhuma investigação foi aberta na época.

Nesta quarta-feira (30), foi aprovada uma nova convocação do deputado do DEM pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, dessa vez em sessão secreta. A audiência está agendada para a próxima terça-feira (6).

30 de junho de 2021, 16:18

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