Aliados de Bolsonaro minimizam pesquisa, mas ex-marqueteiro diz que ele “não se elege nem para síndico”
Da Redação
Aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) trataram de minimizar a nova pesquisa Datafolha divulgada ontem, que mostra ampla vantagem do ex-presidente Lula numa eventual disputa para o Planalto em 2022.
À Folha de S. Paulo, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), disse que a pesquisa traz um cenário do momento, e que pode haver mudanças. Já o vice-líder, Evair de Melo (PP-ES), criticou os levantamentos mais recentes, afirmando que são distorcidos, atrapalham o Brasil, além de reiterar que a base de Bolsonaro no Congresso não irá encolher.
Mas na avaliação do ex-marqueteiro de Bolsonaro, a situação é bem diferente do que tentam mostrar os aliados. Em entrevista à Piauí, Marcos Carvalho disse que Bolsonaro não se elege “nem para síndico”.
Carvalho foi o principal marqueteiro da campanha de Bolsonaro para presidente em 2018. Ele criticou Bolsonaro por não entregar “nada do que prometeu em campanha”. “Depois que virou presidente, está fazendo essa gestão que estamos vendo, sem qualquer realização. Inaugurando caixa d’água, ponte pronta, e outras obras insignificantes. Foi incapaz de comprar uma vacina que foi oferecida a ele mil vezes, incapaz de tocar as reformas. Nem na área de segurança, que era uma de suas maiores promessas, algo foi feito”.
O marqueteiro analisa que quem elegeu Bolsonaro não foram bolsonaristas. “A grande maioria que votou em Bolsonaro poderia ter votado em outros candidatos no primeiro turno e só não o fez pelo sentimento antipetista”. Na avaliação dele, o eleitor fiel de Bolsonaro são os 15% que ele tinha e continua mantendo.
Ele segue a tendência de outra pesquisa Datafolha e acredita que pessoas que votaram em Bolsonaro em 2018 não votarão de novo em 2022. “Uma eleição é feita de atributos funcionais e emocionais. Primeiro você escolhe seu candidato e depois os motivos pelos quais você escolheu votar. A candidatura de Bolsonaro não tinha uma proposta, só conceitos e valores. A maioria dos eleitores estava convencida de que ele era o caminho para tirar o PT”.
Marcos Carvalho projeta que Bolsonaro terá a “votação mais inexpressiva da história moderna para um candidato à reeleição na América Latina”.
O ex-marqueteiro se afastou do atual presidente antes mesmo de assumir a coordenação de comunicação do governo, logo depois de ser atacado pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).








