sábado, 25 de abril de 2026

Rapidinhas: O cobiçado do 2º turno, uma inusitada sintonia e os bigodes do deputado

Foto: Divulgação

Davi Lemos

O cobiçado
João Roma (PL), terceiro colocado com 9,08% dos votos para governador da Bahia, vai ser cortejado tanto por ACM Neto (UB) quanto por Jerônimo Rodrigues (PT), embora nenhum dos dois que passou para o segundo turno admita que vá procurar o candidato que é interessado unicamente em garantir a reeleição de Jair Bolsonaro. Roma, nesta segunda-feira (3), vai a Brasília para ter orientações sobre como proceder na Bahia. Para ter o apoio do bolsonarista, Neto precisaria apoiar Bolsonaro, o que não é muito provável, sendo que a Bahia foi o estado que deu a maior vantagem nos estados ao petista. Já o comando do PT, que não vai apoiar Bolsonaro de jeito nenhum, só quer a neutralidade do ex-ministro da Cidadania.

Plano B
Netistas, por outro lado, veem um plano B à situação entre o ex-prefeito de Salvador e o bolsonarismo na Bahia: Raíssa Soares. Ainda antes de ser definida a candidatura de Roma, a ex-candidata ao Senado chegou a dizer que, em entrevista à imprensa baiana, que uma aliança com ACM Neto poderia ser estabelecida se houvesse um apoio do líder do União Brasil ao presidente da República. Os analistas pró-Neto ainda avaliam que o peso do apoio da ex-secretária de Saúde de Porto Seguro teria maior peso que o de Roma, pois enquanto o ex-ministro obteve 738,3 mil votos, Raíssa Soares ultrapassou a marca de 1 milhão.

Não mais desconhecido
Algo ficou claro para os petistas na Bahia: o eleitorado baiano agora sabe que Jerônimo Rodrigues é o candidato de Lula no estado. Na coletiva de imprensa, após o resultado das urnas no primeiro turno, ficou também claro que, apesar de ser o candidato, Jerônimo ainda é o que menos fala no “time”. Quem mais falou foi o próprio governador Rui Costa, anfitrião da coletiva no Palácio de Ondina, e o senador reeleito Otto Alencar (PSD), que foi quem disse, pela primeira vez na noite de domingo (2), que faltou um Kleber Rosa para a disputa ter findado logo no primeiro turno. Mas o comentário também ocorreu no lado netista: Neto não levou no primeiro turno por um Roma de vantagem.

O silêncio de Geraldo
No Palácio de Ondina, o presidente da Câmara Municipal de Salvador e candidato a vice na chapa de Jerônimo Rodrigues, Geraldo Jr (MDB), ficou calado, mas a oposição no legislativo soteropolitano espera quatro semanas bem agitadas até o dia 30 de outubro. “Nosso objetivo, é diminuir ainda mais a vantagem do ex-prefeito em Salvador e temos quatro semanas para trabalhar isso nas ruas e na Câmara também”, disse um membro da oposição na Casa.

Sem bigode, sempre deputado
O bigode do deputado José Rocha (União Brasil) definitivamente não é como o cabeleira para Sansão, o personagem bíblico que perdeu a força após ter os cabelos cortados em trama arquitetada por Dalila. Alguns colegas do parlamentar até brincavam: “desse jeito não vão reconhecê-lo”. Mas a brincadeira, com fundo ou desejo de verdade, não se confirmou nas urnas. Outra ironia, é que, ainda que tenha sido o último dos seis eleitos pelo União Brasil, Rocha ainda conseguiu impedir o retorno de um tricolor à Câmara Federal. Por uma diferença de quase 23 mil votos, o ex-presidente do Vitória barrou a eleição de Marcelo Guimarães Filho, ex-presidente do Bahia, que ficou com a primeira suplência. E, sem bigode, Zé Rocha vai para o 12º mandato seguido – os quatro primeiros como deputado estadual.

O consolo de Nilo
O deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos), que pleiteou a vaga de vice na chapa de ACM Neto, não conseguiu a reeleição, ficou com a primeira suplência, vindo logo atrás dos três deputados evangélicos da sigla: Márcio Marinho e Alex Santana, reeleitos, e Rogéria Santos, estreante. Os comentaristas do governo, em tom de pilhéria, disseram que o ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia teve um consolo: viu o genro Marcelinho Veiga (União Brasil) ser reeleito para uma cadeira na Casa que outrora presidiu.

Solução para o Brasil…
Dos 6,1 milhões de votos que Lula teve sobre Bolsonaro no primeiro turno, 3,8 milhões foram garantidos na Bahia. O candidato bolsonarista João Roma (PL) vinha dizendo ao longo da campanha que “a Bahia não era problema para o Brasil, mas solução para o Brasil”. Parece que, neste ponto, com esta votação garantida ao ex-presidente da República, os petistas concordaram com a afirmação do ex-ministro da Cidadania.

Sintonia
Bolsonaristas em plano nacional e petistas na Bahia também estão em sintonia quando o assunto são as pesquisa eleitorais. Tanto Rui e Jerônimo quanto o presidente Jair Bolsonaro, nos pronunciamentos realizados no domingo (2) após o anúncio do resultado nas urnas, apontaram os erros da maioria dos levantamentos. Institutos davam, na Bahia, cenário favorável à vitória de ACM Neto no primeiro turno; nacionalmente, indicavam que Lula venceria Bolsonaro ainda no primeiro turno com até 15% de vantagem. A urna desmentiu a quase todos os institutos e colocou do mesmo lado, por inacreditável que seja, Rui, Jerônimo e Bolsonaro.

03 de outubro de 2022, 17:15

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