sábado, 25 de abril de 2026

Rapidinhas: 16 anos de ingratidão, a “boquinha” de Marcelo Nilo e o candidato massa de pão

Foto: Divulgação

Davi Lemos

16 anos de ingratidão
Prefeito de Mata de São João, João Gualberto (PSDB) não tem esperanças de que o governador eleito Jerônimo Rodrigues (PT) faça a requalificação da estrada que liga a sede do município à orla, que é uma promessa dos petistas desde 2006. Naquele ano, quando da primeira campanha de Jaques Wagner (PT) para o governo, Gualberto, que também era prefeito, emprestou o avião pessoal ao atual senador a pedido do marqueteiro e amigo Sidônio Palmeira, mesmo sendo aliado do então postulante à reeleição Paulo Souto (União). “Fiz isso achando, como todo mundo, que Wagner ia perder, mas ele ganhou”, costuma contar. Após a posse de Wagner, o tucano fez a primeira reivindicação da estrada prometida, que nunca saiu do papel. “Nessa eleição eles nem prometeram”, disse o gestor.

Tanto faz
O resultado da eleição na Bahia mostrou que a estratégia do “tanto faz” de ACM Neto (União) gerou dividendos eleitorais para o ex-presidente Lula (PT). Os números demonstram que a maior parte do eleitorado do ex-prefeito optou pelo petista, e não pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao mesmo tempo, Neto conseguiu atrair praticamente todos os bolsonaristas que, no primeiro primeiro turno, haviam optado pelo deputado federal João Roma (PL). Dizem alguns dos mais chegados ao ex-prefeito que a vitória não veio por detalhe, a começar pela escolha equivocada da candidata a vice-governadora, a empresária Ana Coelho, desprovida de peso político.

Boquinha em Brasília
Um dos maiores derrotados da eleição na Bahia sem dúvida alguma foi o deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos), que perdeu a vaga na chapa majoritária, não conseguiu se reeleger e ficou, com a derrota de ACM Neto (União) e a vitória de Jerônimo Rodrigues (PT), sem expectativa de ocupar um cargo público a partir de 2023. Segundo informações de bastidor, Nilo já teria sondado emissários do senador Otto Alencar (PSD) na esperança de ter uma “boquinha” em um cargo federal, mesmo que de terceiro escalão.

Solla indica Rui
A imprensa do sul do país divulgou nesta segunda (31) que o governador Rui Costa (PT), que ficará sem mandato a partir de janeiro, é cotado para assumir a Casa Civil no governo do presidente Lula (PT). O deputado federal Jorge Solla (PT) protestou em um grupo de WhatsApp ao saber da notícia. “Eu prefiro Rui na Infraestrutura”, escreveu o petista. A pasta desejada por Solla, que costuma ser generosa na liberação de verbas para parlamentares via emendas, era ocupada até pouco tempo por Tarcísio de Freitas, eleito governador de São Paulo pelo Republicanos.

Um porto seguro
Não foi à toa a viagem da primeira-dama do país, Michele Bolsonaro, a Porto Seguro, onde participou de um comício na semana que antecedeu a votação em segundo turno, a convite do prefeito bolsonarista Jânio Natal (PL). O presidente Jair Bolsonaro (PL) ampliou a votação no município, saltando de 30.988 votos para 33.883 votos, apesar do ex-presidente Lula (PT) ter vencido na cidade (44.418 votos). Já ACM Neto (União) virou sobre Jerônimo Rodrigues (PT) no segundo turno, com mais de 10% de diferença, para vibração de Jânio.

Massa de pão
Para tentar tirar votos de Jerônimo Rodrigue (PT) na própria terra natal do petista, Aiquara, a campanha de ACM Neto (União) foi até o município no segundo turno para gravar vídeos com depoimentos críticos ao adversário. A propaganda dizia que, quando secretário da Educação, o candidato do governador Rui Costa (PT) nada fez pela cidade, com o mote de que quem conhecia Jerônimo não votava nele. Parece que o efeito foi justamente o contrário, tipo massa de pão, pois o ex-secretário melhorou o desempenho em Aiquara de 55,62% para 62,91% dos votos válidos. Já Neto encolheu de 39,81% para 37,09%.

Segue o líder
Se passaram mais de 20 horas desde a publicação desta coluna e o deputado federal João Roma (PL) seguiu o líder, o presidente Jair Bolsonaro (PL), e também não se manifestou sobre o resultado das eleições, nem mesmo na Bahia. Roma tinha a expectativa de voltar a ser ministro da Cidadania. O deputado federal deve assumir a presidência do PL na Bahia na próxima semana. Atualmente, a função é exercida pelo deputado estadual eleito Vitor Azevedo.

PDT com Adolfo
O PDT também vai confirmar o apoio à reeleição do deputado Adolfo Menezes (PSD) para a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia. O sinal verde já foi dado pelo presidente estadual da sigla, o deputado federal Félix Mendonça Júnior. Em 2023, o partido terá apenas um parlamentar no Legislativo baiano: o atual vereador de Salvador Emerson Penalva. Nesta segunda (31), Adolfo já computava o apoio de mais de 40 colegas, ou seja, está virtualmente reeleito.

Kelmon à paisana
Após vestir-se com o hábito sacerdotal para participar dos debates presidenciais e ir às tratativas de negociações para a rendição de Roberto Jefferson, no Rio de Janeiro, padre Kelmon (PTB) aderiu ao estilo bolsonarista raiz para ir votar em Salvador. Camisa da Seleção Brasileira de Futebol, boné azul e óculos escuros, o padre passaria despercebido não fosse a cruz pendente ao peito. Kelmon, que recebeu 81,2 mil votos na disputa pela Presidência, tem mais sucesso no Twitter – o registro da ida à urnas em Salvador teve 97,1 mil curtidas.

Cartas episcopais
Por falar em religiosos, a cisão na CNBB tornou-se tão clara quanto constatada na sociedade brasileira dividida entre bolsonarismo e petismo. Uma carta assinada por bispos que se intitularam como “Bispos do diálogo pelo Reino”, que trazia muitas críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL) como o do uso da fé para fins políticos, recebeu uma resposta – um outro documento intitulado “Paz e harmonia em época de eleições”. Esse texto dizia que a carta anterior não representava nem toda a CNBB e nem a voz da Igreja ou do papa Francisco. A questão político-religiosa será tema da próxima reunião dos bispos – embora as cartas fossem “anônimas”, arcebispo de Feira de Santana, Dom Zanoni Castro, publicou a dos “Bispos do diálogo pelo Reino” em seu Instagram.

Fazer mais
Na coletiva de imprensa realizada no Palácio de Ondina logo após a confirmação da vitória, o governador eleito Jerônimo Rodrigues (PT) disse que precisará fazer muito mais que o atual governador Rui Costa (PT), que deve assumir um cargo no governo Lula. Nesta segunda-feira (31), uma notícia que é rotina da vida de soteropolitanos: tiroteio em festa deixa três mortos e dois feridos em Cosme de Farias. Jerônimo foi questionado sobre o tema, e a resposta foi que será necessário avançar. Durante a campanha, ele já vinha dizendo que enfrentaria a criminalidade.

31 de outubro de 2022, 17:00

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