quinta-feira, 11 de junho de 2026

Ex-superintendente da PF na Bahia diz que Torres pediu reforço no policiamento no 2º turno da eleição

Foto: Reprodução

Da Redação

O delegado Leandro Almada, superintendente da PF na Bahia no período eleitoral, afirmou em depoimento que recebeu um pedido do então ministro da Justiça Anderson Torres para reforçar o policiamento nas ruas em 30 de outubro. O jornal O Globo informa que, segundo Almada, a justificativa dada pelo então chefe da pasta era de que havia uma suposta “anormalidade” na compra de votos no estado.

Questionado pelos investigadores se recebeu alguma orientação quanto às localidades onde deveria reforçar o policiamento, Almada respondeu que “houve, sim, uma relação de cidades”, mas não a apresentou no momento do depoimento. Esse é um dos pontos principais em apuração no inquérito.

A investigação foi aberta após a maior parte das blitzes ter sido registrada na Região Nordeste, região do país onde Lula havia registrado sua maior vantagem sobre Jair Bolsonaro. Na Bahia, o petista teve 69,7% dos votos no primeiro turno, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou com 24,3%. O resultado foi mais largo do que no panorama geral do país, em que o atual presidente teve 48,4%, e o então candidato do PL, 43,2%.

O ex-superintendente na Bahia contou também que recebeu uma “sugestão” para que a PF atuasse em conjunto com a PRF na data do segundo turno, o que ele avaliou como “inadequado” e, por isso, acabou não executando.

No último dia 8, Torres também foi ouvido no inquérito e negou quaisquer irregularidades. A sua defesa afirma que ele é inocente. Na oitiva, o ex-ministro afirmou que sua preocupação durante o período eleitoral era com o combate a possíveis crimes eleitorais, independentemente de candidato ou partido. Ele também negou que tenha havido uma “determinação” sua para que a PF e a PRF trabalhassem juntas no dia da eleição.

23 de maio de 2023, 18:00

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