terça-feira, 5 de maio de 2026

Economia do cuidado sobrecarrega mulheres e vale, ao menos, 8,5% do PIB, aponta pesquisa

Foto: Agência Brasil

Da Redação

Uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas aponta que se o trabalho doméstico fosse computado acrescentaria ao menos 8,5% ao PIB (Produto Interno Bruto) do país. Estima-se que 65% desse tipo de trabalho são feitos por mulheres. Incluindo as tarefas executadas por homens, a chamada economia do cuidado representa 13% do PIB.

O assunto ganhou relevância no domingo passado (5), quando o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) propôs como tema da redação “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”.

Esse tipo de trabalho envolve atividades que são, em geral, invisíveis para boa parte da sociedade, como Lavar a roupa suja, estender, dobrar, passar e guardar roupa, varrer a casa, tirar o pó, limpar o chão e o banheiro, tirar o lixo, organizar os armários, aguar as plantas, fazer compras, guardar as compras, fazer comida, lavar a louça.

Outras profissões de cuidado com pessoas -como professores, babás e cuidadores- têm remuneração mais alta que a dos trabalhadores domésticos, o que elevaria o valor do trabalho invisível e, portanto, a porcentagem do PIB que ele representa.

A pergunta do IBGE na Pnad Contínua, porém, não especifica quanto tempo vai para trabalhos domésticos e quanto é destinado a cuidar das pessoas, o que impede uma contabilidade mais precisa, diz Considera, ex-diretor do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do FGV Ibre.

A alta de 11,2% para 13% do PIB entre os dois períodos, segundo os pesquisadores, se deve ao aumento da remuneração das domésticas.

11 de novembro de 2023, 15:36

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