quinta-feira, 25 de junho de 2026

Estudante de medicina de Minas viraliza fazendo busca ativa de pacientes do SUS

Foto: Reprodução

Da Redação

“Seu Joaquim? Tudo ‘bão’ com o senhor? É o menino que atendeu o senhor aqui no posto. Vai vim ver nós hoje? Estamos com saudade do senhor, uai”, diz o estudante de medicina Lurdiano Freitas, 29, ao telefone com um paciente da UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro Caravelas, em Ipatinga, no interior de Minas Gerais.

Um vídeo com a ligação viralizou nas redes sociais do futuro médico, com quase meio milhão de visualizações no TikTok. Na gravação, ele mostra que depois de ligar para saber como está o paciente, ainda o leva de carro para buscar um exame.

Assim, uma simples ligação, chamada de busca ativa, se tornou estratégia importante de aproximação com os pacientes da região. “Eu queria saber se a minha prescrição tinha sido eficaz, porque é muito importante que a gente tenha esse resultado. Mas percebi que os pacientes não estavam conseguindo voltar para as consultas, e aí comecei a ligar como iniciativa”, disse o estagiário, que atende sob supervisão na UBS e no ambulatório da universidade onde cursa o sétimo período da graduação.

A busca ativa por usuários da policlínica de Caravelas fez o mineiro idealizar o Ligações de Afeto, desenvolvido ao lado da colega de estágio Luana Clara, sob supervisão da professora Aiala Xavier.

O projeto consiste em ligar para o paciente uma semana depois da consulta, e segue uma metodologia que foi publicada em artigo científico em abril, e faz parte do que hoje é um projeto de extensão na Faculdade de Medicina Afya, onde os estudantes fazem a graduação.

O método é estruturado em quatro etapas (interação pessoal, ambulatorial, preventiva e informativa) que conduzem os temas a serem abordados na ligação e a interação com o paciente.

Há, por exemplo, a regra do um minuto, que diz que o médico precisa ficar o primeiro minuto de contato com o paciente sem fazer qualquer tipo de anotação, apenas prestando atenção no que ele diz. “O objetivo é que o paciente se sinta acolhido e não um fantoche na mão de um médico que decide o por ele o que deve tomar. O paciente se torna participante, o cerne da consulta e do tratamento”, afirma o estudante.

Outro ponto observado na metodologia é a linguagem, para que o paciente se sinta próximo do médico e entenda exatamente a mensagem e as orientações que estão sendo passadas.

“A adaptação da capacidade linguística da pessoa que estamos atendendo é fundamental. Outro dia, eu percebi que um paciente não sabia ler, mas eu precisava que ele entendesse o receituário. Então, eu comecei a desenhar e colar adesivos para ele entender”, diz Lurdiano, ao contar como nasceu o Receituário de Afeto.

21 de julho de 2024, 19:50

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