Governo planeja medidas ainda neste bimestre para conter alta no preço dos alimentos, diz Rui Costa
Da Redação
O governo federal planeja adotar um conjunto de medidas para tentar frear o aumento dos preços dos alimentos, segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa. O tema foi um dos principais destaques da reunião ministerial, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou dos ministros a apresentação, nos próximos dias, de soluções para enfrentar a inflação.
As propostas serão debatidas em reuniões envolvendo Lula, Rui Costa e os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro; do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira; e da Fazenda, Fernando Haddad. “Vamos realizar algumas reuniões para definir um conjunto de ações que permitam baratear os alimentos”, declarou Costa.
“No final do ano passado, o presidente reuniu representantes de redes de supermercados, que sugeriram algumas iniciativas. Agora, vamos implementá-las no primeiro bimestre”, completou.
Rui Costa também destacou que a elevação da massa salarial tem contribuído para pressionar os preços. “Quando o vendedor percebe que o consumidor está com um salário maior, ele testa o mercado para ver até onde é possível aumentar o preço. Se o consumidor não negocia ou pechincha, isso tende a impulsionar os valores. É uma questão que vamos monitorar, porque não adianta o salário subir se os preços também subirem na mesma proporção”, afirmou o ministro.
Os preços elevados de alimentos e bebidas foram os principais responsáveis pela inflação registrada em dezembro, segundo dados do IBGE. O índice oficial de preços (IPCA) encerrou o mês em 0,52%, com alimentos consumidos em casa acumulando alta de 8,23% no ano de 2024.
A equipe econômica do governo avalia que a inflação atual é reflexo de uma combinação de fatores. Além do aquecimento da economia, eventos climáticos extremos, desvalorização cambial e o aumento da demanda externa por produtos como carne e café também pressionaram os preços no último ano.
Crise do Pix
Rui Costa também comentou a polêmica gerada pela norma da Receita Federal que previa maior fiscalização sobre movimentações financeiras, incluindo transações via Pix. A decisão foi alvo de críticas e gerou desgaste para o governo, levando à revogação da medida.
“O presidente pediu na última reunião que qualquer medida que tenha impacto direto na população seja comunicada previamente. Se você não comunica antes, as mentiras se espalham e depois é difícil reverter. Foi o que aconteceu no episódio do Pix”, explicou o ministro. “Vamos reforçar com os secretários a necessidade de evitar uma abordagem burocrática e priorizar uma comunicação clara e antecipada”, completou.
A crise envolvendo o Pix foi usada pela oposição como munição nas redes sociais, evidenciando falhas de comunicação dentro do governo. O episódio serviu de alerta para a necessidade de ajustes no processo de divulgação de medidas que possam gerar repercussão junto à opinião pública.







