domingo, 31 de maio de 2026

Bahia lidera ranking nacional de homicídios dolosos em 2025, aponta Sinesp

Foto: Agência Brasil

Da Redação

A Bahia lidera, mais uma vez, o ranking de homicídios dolosos no Brasil em 2025. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o estado registrou 1.018 mortes desse tipo até março deste ano. A estatística mantém a Bahia na primeira colocação nacional nesse indicador desde 2015.

Os dados consideram como homicídio doloso qualquer morte com indício de crime ou agressão externa, excluindo feminicídios, latrocínios, lesão corporal seguida de morte e mortes culposas. Também são incluídos casos como acidentes de trânsito com dolo, além de encontros de cadáveres ou ossadas com sinais de violência ou causas desconhecidas. De acordo com o Sinesp, 943 das vítimas eram homens e 74, mulheres — uma média de 11 homicídios por dia. A capital Salvador e a Região Metropolitana concentram os maiores números, com 208 casos apenas na capital.

Em entrevista ao Correio, o advogado Wagner Moreira, fundador e coordenador-geral do Ideas Assessoria Popular, criticou a condução da política de segurança na Bahia. “Estamos vivendo a nordestinização da violência, e mesmo governos considerados progressistas não conseguiram reverter esse cenário. Pelo contrário, assumiram a liderança da letalidade no país”, afirmou. Ele também chamou atenção para os altos índices em estados vizinhos como Pernambuco (784 homicídios) e Ceará (714).

Moreira atribui o problema ao que considera uma falha estrutural: ausência de diálogo com a sociedade civil, criminalização de movimentos sociais e uma estratégia de segurança baseada apenas no confronto direto com facções, sem investimento em inteligência policial ou investigações. “A Bahia precisa revisar seus rumos na segurança pública”, declarou.

O historiador Dudu Ribeiro, integrante da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia, também falou ao Correio e apontou o tráfico de drogas como principal vetor da violência no estado, seja nas disputas territoriais entre facções, seja nos confrontos com a polícia. Ele também criticou a política de encarceramento em massa, que, segundo ele, fortalece o poder de grupos criminosos.

“Não se trata apenas dos mortos, mas dos efeitos sociais duradouros da violência urbana: crianças órfãs, mulheres negras sobrecarregadas, comunidades inteiras marcadas pelo luto. Isso adoece e destrói possibilidades de vida”, destacou Ribeiro. Ele defende uma política nacional de segurança baseada na proteção da vida e na redução da presença militarizada no cotidiano dos brasileiros.

Já a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que, entre janeiro e abril de 2025, houve redução nas mortes violentas: 12,6% em Salvador, 15,7% na Região Metropolitana e 10,4% no estado em geral, em comparação ao mesmo período de 2024. A pasta também ressaltou que os índices já vinham caindo nos últimos dois anos — 8,2% em 2024 e 6% em 2023.

29 de abril de 2025, 08:00

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