Rombo de R$ 1,6 bilhão em fundos ligados ao Credit Suisse abala Faria Lima
Da Redação
Operações da Polícia Federal, empresários tentando se desfazer de imóveis de luxo e prejuízos bilionários marcaram o mais novo escândalo financeiro a atingir a Faria Lima, principal centro financeiro de São Paulo. De acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles, dois fundos de investimento estruturados pelo banco Credit Suisse, atualmente incorporado ao UBS, causaram perdas de cerca de R$ 1,6 bilhão a investidores.
Os fundos, comercializados para clientes profissionais de alta renda, estavam lastreados em ações de empresas do setor de energia eólica. Segundo o Metrópoles, o Credit Suisse recebeu quase R$ 50 milhões de duas dessas empresas como remuneração pela estruturação dos fundos. Em seguida, o banco vendeu as cotas para investidores sem revelar os riscos envolvidos — incluindo o envolvimento de sócios e fundadores das empresas em investigações por desvio de recursos, lavagem de dinheiro e ligações com doleiros.
As duas companhias — 2W Energia e Rio Alto Energias Renováveis — posteriormente entraram em recuperação judicial, com dívidas de R$ 2,4 bilhões e R$ 1,5 bilhão, respectivamente. A 2W deu lastro ao fundo Wave, lançado em outubro de 2021, enquanto a Rio Alto estava por trás do fundo Solar, vendido a partir de abril do mesmo ano.
Clientes que investiram nas aplicações relatam frustração e indignação. “É muito revoltante você colocar o dinheiro de seu trabalho em uma instituição desse porte e seu dinheiro desaparecer da noite para o dia”, declarou ao Metrópoles um dos investidores prejudicados, que preferiu não se identificar.
Ainda segundo o portal, o escândalo está sendo investigado pela Polícia Federal, e movimentações suspeitas de venda acelerada de patrimônios de luxo por parte de envolvidos estão sob análise das autoridades. O caso aprofunda a crise de confiança nos mecanismos de transparência e diligência na estruturação de fundos no mercado financeiro brasileiro.








