Decisões do BC renderam bilhões ao BTG com bancos ‘ressuscitados’
Da redação
Documentos obtidos pelo site Bastidor revelam que decisões recentes do Banco Central garantiram ao BTG, de André Esteves, pelo menos R$ 11 bilhões em créditos contra a União. As medidas partiram da Diorf, área estratégica do BC, sob comando de Renato Gomes, nomeado diretor em 2022 por Jair Bolsonaro. Foi nesse período que a autarquia encerrou as liquidações extrajudiciais dos bancos Econômico e Nacional, abrindo caminho para que o BTG assumisse seu controle.
As liquidações vinham desde os anos 1990, após as quebras desses bancos durante o Proer, programa de socorro criado no governo FHC. Ao assumir o controle, o BTG transformou instituições consideradas “zumbis financeiros”, repletas de passivos, em CNPJs limpos, carregados de créditos fiscais e títulos federais valiosos. O precedente havia sido estabelecido em 2014, com o Bamerindus, e foi replicado no Econômico e no Nacional entre 2022 e 2024.
No caso do Econômico, o BTG gastou menos de R$ 1 bilhão para adquirir créditos de grandes credores e convertê-los em participação acionária. Assim, capitalizou o banco, quitou passivos e ganhou acesso a ativos estimados em mais de R$ 10 bilhões. A decisão do BC para encerrar a liquidação saiu em apenas três meses. Já no Nacional, o banco desembolsou cerca de R$ 2,7 bilhões em aumento de capital e, em menos de um mês, obteve a aprovação da transferência de controle, garantindo outros bilhões em créditos e prejuízos fiscais.
Essas operações geraram suspeitas dentro e fora do BC, já que o BTG foi o único beneficiário privado. Críticos afirmam que o processo reforça a concentração bancária e reproduz práticas históricas em que grandes bancos lucram com a intervenção estatal. A proximidade entre Renato Gomes, André Esteves e o presidente do BC, Roberto Campos Neto, ambos do mesmo círculo carioca do mercado financeiro, reforçou a percepção de favorecimento político por trás de decisões apresentadas como meramente técnicas.
Na prática, o BTG conseguiu ressuscitar bancos falidos e transformá-los em fontes bilionárias de créditos contra o próprio Estado. Técnicos do TCU chegaram a apontar irregularidades no ritmo acelerado de pagamentos de FCVS ao BTG, mas foram ignorados. O caso escancara como decisões administrativas do Banco Central, ainda que justificadas sob a ótica regulatória, podem redesenhar o sistema financeiro em favor de poucos grupos, num modelo em que apenas gigantes como o BTG saem ganhando.








