terça-feira, 5 de maio de 2026

União Brasil e PP decidem deixar governo Lula e apoiar anistia a Bolsonaro, diz jornal

Foto: Rueda e Nogueira: presidentes do União e do PP - Divulgação

Da Redação

A federação formada por União Brasil e PP decidiu nesta terça-feira (2) desembarcar oficialmente do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão atinge diretamente os ministros André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo), que deverão deixar a Esplanada até o fim do mês. As informações são da Folha de São Paulo.

O movimento ocorre no mesmo dia em que está previsto o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e foi acompanhado do anúncio de que as legendas apoiarão um projeto de anistia ao ex-mandatário. De acordo com líderes envolvidos nas negociações, a proposta seria ampla, abrangendo todos os acusados nos atos de 8 de janeiro, mas mantendo a inelegibilidade de Bolsonaro.

Segundo a Folha, a deliberação foi acertada em reunião entre os presidentes das siglas, Antonio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP), em Brasília. Uma declaração pública está prevista ainda para esta tarde.

Apesar do desembarque, parte das indicações políticas de União e PP deve permanecer no Executivo. O União Brasil mantém influência nos ministérios do Desenvolvimento Regional, com Waldez Góes, e das Comunicações, com Frederico de Siqueira Filho, ambos ligados ao senador Davi Alcolumbre (AP). Já o PP controla a presidência da Caixa Econômica Federal, sob comando de Carlos Vieira, indicado por Arthur Lira (AL).

A decisão marca um ponto de inflexão nas relações entre Lula e o centrão. Na semana passada, durante reunião ministerial, o presidente cobrou lealdade de seus ministros e sugeriu que deixassem o governo caso não estivessem dispostos a defender a gestão. O discurso foi interpretado como recado direto a Sabino e Fufuca, aumentando a pressão interna pela saída das siglas.

O episódio também foi marcado por trocas de farpas. Lula afirmou, em referência a Rueda, que não tinha interesse em manter amizade com o dirigente partidário e lembrou que Ciro Nogueira integrou o governo Bolsonaro, acrescentando que o senador não teria votos para reeleição em seu estado.

As declarações ampliaram o mal-estar e levaram o vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, a propor o rompimento formal com o governo, tema que será ratificado em reunião da executiva nacional nesta quarta (3).

Nos bastidores, tanto Fufuca quanto Sabino tentaram adiar o afastamento, já que ambos planejam disputar o Senado em 2026 e contavam com apoio do Palácio do Planalto. O esforço, no entanto, foi neutralizado pela cúpula partidária, que hoje atua para fortalecer o nome do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) como alternativa à sucessão presidencial.

A saída de União Brasil e PP representa mais um desafio para o Planalto no Congresso. Com o recuo, a base governista na Câmara deve cair para cerca de 259 deputados, apenas dois a mais do que o necessário para formar maioria simples, aumentando as dificuldades para a aprovação de projetos em meio à queda de popularidade do governo.

02 de setembro de 2025, 15:40

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