sexta-feira, 24 de abril de 2026

Obesidade infantil supera desnutrição no mundo pela primeira vez, alerta Unicef

Foto: Divulgação

Da Redação

O mundo atingiu um ponto de inflexão histórico na saúde infantil. Pela primeira vez, a obesidade entre crianças e adolescentes superou a desnutrição como principal forma de má nutrição na faixa etária de 5 a 19 anos, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (9) pelo Unicef.

“Hoje, quando falamos de má nutrição, já não nos referimos apenas a crianças com baixo peso”, afirmou Catherine Russell, diretora-geral da agência da ONU. “A obesidade é um problema crescente que pode repercutir na saúde e no desenvolvimento infantil”, completou.

Os números ilustram a mudança. Entre 2000 e 2022, a taxa de insuficiência de peso caiu de 13% para 10% no grupo de 5 a 19 anos, enquanto o sobrepeso disparou. Nesse período, o número de jovens com excesso de peso dobrou, passando de 194 milhões para 391 milhões. A obesidade, forma mais grave da condição, associada a doenças como diabetes, alguns tipos de câncer e distúrbios emocionais, triplicou: passou de 3% para 8% da população jovem, o que representa 163 milhões de pessoas.

Segundo o Unicef, em 2025 a prevalência da obesidade deve alcançar 9,4%, ultrapassando os 9,2% de crianças e adolescentes abaixo do peso. Isso equivale a 188 milhões de jovens vivendo com a condição.

Alvos

Para a agência, o crescimento da obesidade não se deve a escolhas individuais, mas a um “fracasso da sociedade” diante do avanço da indústria de ultraprocessados. “As crianças são bombardeadas por publicidade de comida pouco saudável, inclusive nas escolas”, explicou à AFP Katherine Shats, uma das autoras do estudo.

Esses produtos, mais baratos e amplamente disponíveis, estão substituindo alimentos frescos como frutas, verduras e proteínas. O relatório também contesta a ideia de que atividade física basta para neutralizar os efeitos da má alimentação: “É impossível escapar das consequências para a saúde apenas por meio do esporte”, afirma o documento.

Tendência global

Embora países ricos ainda concentrem índices elevados, como Chile (27%) e Estados Unidos (21%), o crescimento mais acelerado ocorre em regiões mais pobres. Pequenos países insulares do Pacífico, por exemplo, registram taxas alarmantes: Niue (38%), Ilhas Cook (37%) e Nauru (33%).

Em contextos de crise humanitária, a situação se agrava: a desnutrição convive com a obesidade, já que alimentos ultraprocessados são frequentemente doados por grandes empresas, servindo mais à autopromoção do que à saúde das populações vulneráveis.

Apelo

O Unicef defende medidas urgentes para conter a epidemia de obesidade infantil, como restrições à publicidade, tributação sobre bebidas açucaradas, melhor rotulagem nutricional e políticas agrícolas que incentivem a produção de alimentos frescos.

“Há uma necessidade urgente de políticas que ajudem os pais e cuidadores a acessar alimentos nutritivos e saudáveis para suas crianças”, reforçou Russell.

10 de setembro de 2025, 16:40

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