quinta-feira, 25 de junho de 2026

Bahia registra menor índice de insegurança alimentar em 20 anos, mas ainda tem 2,1 milhões de lares afetados

Foto: Agência Brasil/Arquivo

Da Redação

A Bahia alcançou, em 2024, o menor índice de insegurança alimentar dos últimos 20 anos, igualando o patamar observado em 2013. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9) pelo IBGE, 2,1 milhões de domicílios baianos, o equivalente a 37,8% do total, conviviam com algum grau de restrição no acesso à alimentação, desde a preocupação com a falta de comida até a privação efetiva de alimentos.

Apesar da melhora em relação a 2023, quando o índice era de 40,2%, o estado subiu da sexta para a quinta posição no ranking nacional da insegurança alimentar, pois outras unidades da federação registraram reduções mais expressivas. Os dados integram o módulo de Segurança Alimentar da PNAD Contínua, produzido em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

A queda de 3,2% representa cerca de 74 mil lares a menos em situação de insegurança alimentar. Ainda assim, mais de um terço das famílias baianas seguem afetadas.

A Bahia, que tem a quarta maior população do país, concentra o segundo maior número absoluto de domicílios e pessoas vivendo com algum grau de insegurança alimentar — 2,1 milhões de lares e 5,8 milhões de pessoas — atrás apenas de São Paulo, com 3,3 milhões de domicílios.

O levantamento mostra melhora em quase todos os níveis de insegurança alimentar, com exceção do leve, que apresentou pequeno aumento.

Insegurança leve: 1,334 milhão de domicílios (23,8%), alta de 0,7 ponto percentual em relação a 2023.

Insegurança moderada: 477 mil domicílios (8,5%), queda de 1,2 ponto.

Insegurança grave: 304 mil domicílios (5,4%), redução de 9% em um ano.

Nos casos mais graves, a fome é uma realidade que atinge cerca de 707 mil pessoas. Mesmo com a melhora, a Bahia ainda é o segundo estado com mais lares ameaçados pela fome, atrás apenas de São Paulo (409 mil). Proporcionalmente, tem a sexta maior taxa de insegurança grave do país e a mais alta fora da Região Norte.

Avanço menor que a média nacional

A redução observada na Bahia ficou abaixo da média brasileira. No país, a proporção de domicílios com insegurança alimentar caiu de 27,6% em 2023 para 24,2% em 2024, redução de 3,4 pontos percentuais, enquanto a queda baiana foi de 2,4 pontos.

Essa diferença fez o estado perder posição no ranking. O Pará lidera com 44,6% dos lares afetados, seguido por Roraima (43,6%) e Piauí (39,3%). Na outra ponta estão Santa Catarina (9,4%), Espírito Santo (13,5%) e Rio Grande do Sul (14,8%), com as menores taxas do país.

Perfil 

O IBGE aponta que a insegurança alimentar atinge com mais intensidade domicílios chefiados por mulheres, pessoas pardas e de baixa escolaridade. Entre os lares afetados, 59,9% têm mulheres como responsáveis, enquanto no total de domicílios essa proporção é de 51,8%.

Mais da metade (54,7%) dos domicílios com insegurança alimentar é chefiada por pessoas pardas, e 36% são liderados por chefes com ensino fundamental incompleto — índice bem acima da média nacional (26,7%).

O IBGE mede a segurança alimentar desde 2004, por meio da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). O percentual de 37,8% registrado em 2024 repete o menor índice da série, observado em 2013.

10 de outubro de 2025, 17:00

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