Presidente da CNI critica política de arrecadação do governo e defende corte de gastos públicos
Da Redação
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, criticou a postura do governo federal em relação à política de arrecadação, afirmando que há uma “sanha arrecadatória” em curso. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Alban defendeu que a proposta de corte de 10% nos benefícios tributários — que voltou à pauta após a queda da medida provisória que substituiria o aumento do IOF — só seria justa se acompanhada de redução equivalente nos gastos dos três Poderes.
“A ideia de cortar 10% (nos benefícios tributários) voltou agora com a queda da MP. Eu topo apoiar essa ideia. Vamos reduzir todo mundo 10%. Vamos reduzir 10% do orçamento discricionário do Congresso, do Executivo e do Judiciário”, afirmou o empresário.
Segundo Alban, o corte linear de incentivos fiscais entre os setores da economia pode gerar mais injustiça tributária, por não considerar as diferenças estruturais e os desafios de cada área produtiva.
O presidente da CNI também comentou o cenário econômico e as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, afirmando estar otimista com a redução gradual das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros. Ele defendeu a convergência para alíquotas médias de 10% em setores considerados estratégicos.
Em relação à taxa básica de juros (Selic), Alban classificou o atual patamar como “desproporcional” e sugeriu o uso de instrumentos alternativos, como a flexibilização do depósito compulsório, para estimular o crédito e os investimentos produtivos.
Nova política industrial
Ao avaliar o programa Nova Indústria Brasil (NIB), o dirigente considerou a iniciativa um “embrião de política industrial”, destacando que o país passa por uma retomada de estratégia para o setor após anos de estagnação. Alban elogiou o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, pela condução das discussões de forma “afável e negociadora”, mas cobrou maior consistência nas ações e metas do programa.
“É um início importante, mas precisamos garantir continuidade, previsibilidade e alinhamento com a política macroeconômica”, disse Alban.








