terça-feira, 23 de junho de 2026

Jorge Messias pode ser o quarto chefe da AGU a chegar ao STF se for confirmado por Lula

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil e William Rocha

Da Redação

Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirme a indicação de Jorge Messias, atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), ele será o quarto ocupante do cargo a chegar à Corte. Antes dele, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e André Mendonça também migraram da AGU para o Supremo, nomeados, respectivamente, por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula e Jair Bolsonaro (PL).

Um levantamento da Folha de S.Paulo mostra que, desde 1985, 11 dos 31 ministros indicados ao STF exerceram funções no Executivo federal antes da nomeação. Caso seja confirmado, Messias será o 12º com esse perfil. O dado reforça a tendência de presidentes priorizarem nomes de confiança e com trajetórias próximas ao governo para compor a mais alta corte do país.

Entre os presidentes da redemocratização, José Sarney lidera o número de indicações de ex-integrantes do governo, com três nomes. FHC e Lula aparecem logo atrás, com duas nomeações cada. Fernando Collor, Itamar Franco, Michel Temer e Jair Bolsonaro completam a lista, com uma indicação por presidente. Dilma Rousseff foi a única que não nomeou integrantes do Executivo para o tribunal.

Além da AGU, o Ministério da Justiça também tem sido um trampolim comum para o STF. Flávio Dino, indicado por Lula em 2023, foi o sexto ministro do Supremo a ocupar a pasta antes da nomeação. Alexandre de Moraes, escolhido por Michel Temer em 2017, e Nelson Jobim, indicado por FHC em 1997, seguiram o mesmo caminho. Outros exemplos são Maurício Corrêa, Paulo Brossard e Célio Borja, que também exerceram cargos relevantes no Executivo antes de chegar à Corte.

A lista inclui ainda Francisco Rezek, o único ministro com duas passagens pelo STF, e Celso de Mello, que atuou como consultor-geral e assessor jurídico da Presidência no governo Sarney.

Nas indicações mais recentes, a confiança pessoal dos presidentes também tem pesado. Cristiano Zanin, advogado de Lula nos processos da Lava Jato, e Kassio Nunes Marques, apontado por Bolsonaro como “alguém para tomar uma tubaína”, são exemplos de nomeações marcadas pela proximidade política e pessoal.

03 de novembro de 2025, 09:30

Compartilhe: