sexta-feira, 15 de maio de 2026

Documento histórico revela nova data de nascimento de Maria Bonita e corrige versão repetida há décadas

Foto: Reprodução

Da Redação

Uma descoberta feita em Jeremoabo, no interior da Bahia, promete reescrever parte da história do cangaço e corrigir um dado amplamente difundido sobre Maria Bonita. De acordo com o jornal Correio, pesquisadores localizaram o registro original de batismo da cangaceira, revelando que ela nasceu em 17 de janeiro de 1910, e não em 1911 — muito menos em 8 de março, data que acabou se popularizando por coincidir com o Dia Internacional da Mulher.

Segundo informações do Correio, o documento foi encontrado nos arquivos da Diocese de Paulo Afonso, pertencentes à Paróquia de São João Batista de Jeremoabo, local onde Maria Gomes de Oliveira — o nome de batismo de Maria Bonita — foi batizada. Até então, não havia qualquer registro oficial sobre sua data de nascimento. Livros e jornais adotaram, sem comprovação, a data de 8 de março, que se espalhou como verdade ao longo das décadas.

A certidão de batistério, datada de setembro de 1910, confirma com clareza dia, mês e ano de nascimento da futura Rainha do Cangaço. O achado foi tratado como um “Santo Graal” pelos estudiosos do tema.

Pesquisadores confirmam nova versão

Participaram da cerimônia de apresentação do documento os pesquisadores Robério Santos, Sandro Lee e Luiz Ruben. Em entrevista ao Correio, Robério Santos afirmou que a descoberta encerra uma controvérsia histórica:

“O batistério original confirma seu nascimento em 17 de janeiro de 1910. Acredito de verdade que esta seja a verdadeira data e que os livros façam as devidas revisões.”

A transcrição do registro impressiona pela ortografia da época e detalha o batismo de Maria, filha natural de Maria Joaquina da Conceição, tendo ocorrido em 7 de setembro de 1910.

Impacto histórico e cultural

Ainda de acordo com o Correio, a descoberta já repercute entre pesquisadores, museus e memorialistas dedicados ao cangaço. No Nordeste, inúmeros roteiros turísticos, exposições e centros culturais utilizam o suposto aniversário de 8 de março como marco oficial relacionado à cangaceira. A nova informação exigirá revisões, incluindo adaptações em cronologias de livros clássicos sobre Lampião e seu bando.

Eventos populares também costumam associar o Dia da Mulher ao aniversário de Maria Bonita, algo que terá de ser reavaliado com base no documento recém-divulgado.

A trajetória de Maria Bonita ganha nova luz

Nascida no povoado de Malhada da Caiçara, Maria Déa cresceu em meio às adversidades do sertão baiano, marcado por secas, disputas políticas e conflitos armados. Sua entrada no cangaço, por volta de 1930, foi um marco histórico e rompeu padrões sociais, já que mulheres não atuavam diretamente no movimento.

Outro mito derrubado: ela não foi a primeira mulher a entrar no cangaço. Segundo os pesquisadores, sua cunhada Mariquinha entrou no bando simultaneamente — Maria Bonita se tornou a mais importante, mas não a pioneira absoluta.

Sua imagem atravessou o século como símbolo de coragem e transgressão. Abandonou um casamento infeliz para viver ao lado de Lampião, enfrentando emboscadas, longas caminhadas na caatinga, perseguições e o cotidiano violento das volantes.

O casal foi morto em 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, em Sergipe, em uma emboscada policial. Seus corpos foram levados a Salvador, onde as cabeças permaneceram expostas por anos no IML Nina Rodrigues.

17 de novembro de 2025, 11:00

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