AGU ignorou alerta interno que apontava sindicato ligado a irmão de Lula em suspeita de descontos ilegais no INSS
Da Redação
A Advocacia-Geral da União (AGU) já havia identificado, em 2024, nove entidades com aumento expressivo de reclamações judiciais por descontos associativos não autorizados a aposentados, entre elas o Sindnapi, cujo vice-presidente é Frei Chico, irmão do presidente Lula. Apesar do alerta interno, o ministro Jorge Messias não considerou essas informações ao pedir à Justiça, em maio de 2025, o bloqueio de bens de organizações suspeitas de integrar um esquema bilionário de fraudes no INSS. A AGU argumenta que o relatório não tinha caráter investigativo e não apresentava elementos suficientes para medidas judiciais.
O documento, produzido por procuradores da região Sul e posteriormente encaminhado à cúpula da AGU em Brasília, indicava entidades que deveriam ter convênios suspensos pelo INSS caso irregularidades fossem confirmadas. Mesmo assim, seis das nove organizações citadas na apuração interna ficaram de fora das ações propostas por Messias, que miraram 12 entidades apontadas pela Polícia Federal e pela CGU como beneficiárias de propina ou como estruturas de fachada. Entre as entidades com maior arrecadação via descontos está a Contag, que recebeu R$ 3,4 bilhões entre 2016 e 2025.
A AGU afirma ter seguido critérios técnicos baseados em investigações formais do INSS, da CGU e da PF, e ressalta que não possui funções de polícia judiciária. O órgão sustenta que o levantamento regional serviu apenas para monitoramento e foi encaminhado ao INSS para providências administrativas, sem concluir pela existência de fraude. Ainda assim, os documentos mostram que a alta direção da AGU tinha conhecimento do problema desde o início de 2024 e das suspeitas sobre entidades influentes politicamente, incluindo aquelas ligadas a aliados do governo. Com informações do Estadão.








