sexta-feira, 24 de abril de 2026

Rapidinhas: A pressão sobre Jerônimo, a roupa apertada de Loyola, partido de Cafu e o prefeito sincerão do extremo-sul

Foto: Divulgação

Alberico Goméz e equipe

Pressão crescente

Aliados do governador Jerônimo Rodrigues (PT) têm alertado que ele precisa acelerar as entregas no interior se quiser ser reeleito em 2026. Segundo deputados da base, não basta firmar convênios, anunciar investimentos e assinar ordens de serviço sem iniciar ou concluir obras. A insatisfação é generalizada entre prefeitos e parlamentares da base, que temem também o efeito eleitoral da letargia na mesma medida em que o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) se torna mais competitivo. “Nem parece que o governo tomou tantos empréstimos. Parece que está quebrado”, resumiu um governista.

Para-raios de Ondina

As queixas contra o governo respingam também no secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola (PT), antes tratado como maestro da orquestra governista. Agora, porém, dizem que o maestro está regendo com a batuta torta. É ele quem negocia com prefeitos que vivem de malas prontas e com deputados cada vez mais impacientes. Nos corredores, já tem parlamentar dizendo – sempre pelas costas, claro – que Loyola virou o “para-raios” oficial do Palácio de Ondina. De unanimidade, passou a alvo de cochichos raivosos.

Roupa apertada

Um presidente de partido aliado disse à coluna que, do jeito que vai, Adolpho Loyola terá que tirar a roupa de candidato a governador em 2030. Segundo o dirigente, o secretário perde força por causa da morosidade do governo em cumprir acordos. Para piorar, o secretário inventou a “Serin Itinerante”, uma espécie de turnê pelo interior para fazer política travestida de missão institucional. A estratégia seria mirar o futuro, mas, por ora, tem rendido apenas piadas e desconforto interno.

Alerta externo

Até mesmo lideranças da oposição estão chamando a atenção de Jerônimo. O presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), disse que a frustração com as promessas não cumpridas pode provocar debandada na base. “Nunca vi isso. Se o governador não cumprir os compromissos, eu acho que pode haver sim uma saída em massa para o lado de ACM Neto”, afirmou. Para ele, manter o grupo unido depende exclusivamente da capacidade do governo de honrar os acordos. “Se ele cumprir, ninguém deixa. Ninguém troca aliado por promessa vazia”.

Saída definitiva

O deputado federal Sérgio Brito (PSD) não pretende mais voltar para comandar a Secretaria de Infraestrutura da Bahia. Inicialmente, sua licença seria temporária, para focar nas emendas do Orçamento de 2026 e preparar sua campanha à reeleição. Agora, juntou os motivos: a necessidade de deixar o cargo para concorrer e a falta de paciência com as queixas dos aliados com o ritmo das obras do governo baiano. Vale frisar que Jerônimo deve fazer a reforma administrativa entre dezembro e janeiro, promovendo a saída daqueles que disputarão o pleito de outubro.

Leque partidário

ACM Neto deixou a escolha do novo partido do deputado estadual Cafu Barreto (PSD) nas mãos do parlamentar. O ex-prefeito ofereceu cinco siglas estratégicas para 2026: União Brasil, PSDB, Republicanos, PL e PP. Cafu só se decidirá durante a janela partidária, em abril, após fazer bastante conta. O PL desponta como melhor opção. Lá, quem deve ser o puxador de votos para a Assembleia é Jânio Júnior, filho do prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal, também filiado à sigla. A questão é como explicar ao eleitor uma guinada tão radical: em tese, trocaria o lulismo pelo bolsonarismo.

Lance arriscado

A ida de Cafu Barreto para a base de ACM Neto foi vista situação e oposição como um movimento de sobrevivência política. Na base de Jerônimo, calculavam que ele não teria chances de reeleição. Alguns estimavam que hoje não chegaria a 15 mil votos. Considerado um aliado secundário, ainda mais pela ligação com o senador Ângelo Coronel (PSD), o deputado perdeu espaço enquanto o governo e o senador Otto Alencar (PSD) fortaleciam outro representa da região de Irecê na Assembleia: Ricardo Rodrigues (PSD). Com Neto, Cafu vai tentar se reposicionar e reconstruir articulações.

Caminho inverso

Enquanto Cafu seguiu para a oposição, o prefeito de Ibititá, Afonso Mendonça (MDB), deve fazer o trajeto contrário e migrar para a base do governo. Afonso apoiou ACM Neto em 2022. Em 2024, venceu as eleições municipais derrotando o candidato de Cafu, Celson (PSD), que terminou em terceiro lugar. A disputa ocorreu justamente no principal reduto de do deputado do PSD, que já governou Ibititá por dois mandatos.

Prefeito sincerão

O prefeito de Santa Cruz Cabrália, Girlei Lage (PDT), protagonizou momentos de total sinceridade durante seu discurso de aniversário, no sábado (15), em evento com feijoada de graça e show no centro da cidade. Entre as pérolas, afirmou que pretende deixar a prefeitura “mais liso do que entrou” e disse que os políticos presentes estavam ali “em busca de votos”. Sobrou até para o deputado federal Neto Carletto (PP), que ficou visivelmente constrangido quando Girlei declarou, na frente dele, que o “federal oficial de Cabrália” era Félix Mendonça Júnior (PDT) – ambos estavam no palanque.

18 de novembro de 2025, 10:32

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