Articulador de ataques a farmácias é preso em motel no Costa Azul
Da Redação
A Polícia Civil prendeu, na madrugada deste sábado (29), o homem apontado como um dos articuladores da série de ataques a farmácias em Salvador, sobretudo dos roubos de canetas emagrecedoras. O suspeito foi localizado em um motel no bairro do Costa Azul, onde se escondia, após uma operação conduzida pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), com apoio da Coordenação de Operações, da Agência de Inteligência e da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR).
Segundo a Polícia Civil, o investigado coordenava todo o esquema criminoso — da escolha dos alvos à logística das ações. Contra ele, havia dois mandados de prisão por crimes contra o patrimônio. O homem também acumula antecedentes por estelionato, porte ilegal de arma, tráfico de drogas e roubo. As equipes continuam em campo para identificar e prender outros envolvidos nos ataques, que têm sido realizados majoritariamente por criminosos em motocicletas para facilitar a fuga.
A prisão acontece em meio à escalada de ocorrências em drogarias da capital. Entre janeiro e setembro, foram registrados 209 casos, conforme a Polícia Civil. O Sindicato dos Farmacêuticos da Bahia (Sindifarma) contabilizou 22 ocorrências apenas em novembro — seis delas concentradas no último fim de semana (22 e 23).
A reação policial se intensificou após o caso ocorrido na Pituba, na segunda-feira (24), quando dois suspeitos foram detidos após invadirem duas farmácias em busca de canetas emagrecedoras, trocarem tiros com policiais e manterem funcionários como reféns. No dia seguinte, a Polícia Civil deflagrou a Operação Apotheke, voltada à desarticulação de um grupo especializado em roubos a drogarias em Salvador e na Região Metropolitana. Mais de dez integrantes já foram identificados. Além de medicamentos, a operação mira armas, drogas e materiais usados nas investidas.
Para o diretor do Sindifarma, Gibran Sousa, o avanço dos crimes tem relação com a mudança nas regras de venda das canetas emagrecedoras, agora sujeitas à retenção de receita. “Até pouco tempo atrás, a venda era livre. Com a exigência de receita controlada, quem busca esses medicamentos acaba recorrendo à ilegalidade”, afirmou ao Correio. Ele destaca ainda o alto valor do produto como fator de atração: “Se você rouba 20 canetas, leva R$ 20 mil. É um produto muito lucrativo para o crime.”
O crescente interesse pelo mercado ilegal aparece também em dados federais. A Receita Federal reteve 67 unidades das canetas no Aeroporto de Salvador em 2024. Em 2025, até outubro, o número saltou para 385.
No Brasil, o roubo de cargas de medicamentos causou prejuízo de R$ 283 milhões no ano passado, segundo relatório da Abradimex, que reúne distribuidores de medicamentos especializados.








