segunda-feira, 27 de abril de 2026

Correios obtêm aval para empréstimo de R$ 20 bi com garantia da União

Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil

Da Redação

O conselho de administração dos Correios aprovou, na manhã deste sábado (29), a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões para reforçar o caixa e sustentar o plano de reestruturação da estatal. A operação será feita com um sindicato de cinco bancos (Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra) e contará com garantia do Tesouro Nacional, que assume o risco em caso de inadimplência.

Segundo relatos de integrantes das negociações, a proposta atende integralmente ao valor solicitado pela empresa e apresenta condições mais favoráveis do que as oferecidas na primeira rodada de conversas. A Caixa Econômica Federal, que participou das tratativas iniciais, deixou as discussões antes da formalização final.

A taxa de juros ficou levemente abaixo dos 136% do CDI apresentados anteriormente, mas ainda próxima desse patamar. A percepção dentro do governo e dos negociadores é que os termos tornaram-se menos rígidos: os bancos haviam exigido lucro mínimo e vinculação de recebíveis como garantia adicional —prática incomum em operações com aval soberano, nas quais o risco para o setor financeiro é praticamente nulo.

Na primeira rodada, um grupo formado por Banco do Brasil, BTG, Citibank e ABC Brasil já havia manifestado disposição para emprestar o montante total, mas o comando dos Correios optou por abrir nova chamada para tentar reduzir o custo do crédito. O Safra se somou ao bloco apenas na segunda fase.

Três dessas instituições —BTG, Citibank e ABC Brasil— já são credoras da estatal em um empréstimo de R$ 1,8 bilhão contratado no primeiro semestre e que deverá ser quitado com os novos recursos.

Crise estrutural

O fechamento da operação é considerado crucial para dar fôlego financeiro à empresa, que acumula déficits consecutivos desde 2022. Até setembro deste ano, o prejuízo soma R$ 6,1 bilhões. O empréstimo é apontado como peça-chave do plano de reestruturação, apresentado aos bancos como demonstração de capacidade futura de pagamento.

Técnicos do governo afirmam que, embora o rombo seja financeiro, a crise é resultado de falhas estruturais na gestão, combinando custos crescentes, perda de competitividade e modelo de negócios defasado.

Conforme revelou a Folha, o governo Lula prepara um decreto e uma portaria interministerial para autorizar formalmente a concessão da garantia do Tesouro, etapa final para destravar a assinatura do contrato.

29 de novembro de 2025, 14:25

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