quarta-feira, 13 de maio de 2026

O sofá estampado – Revisitando Lygia Bojunga

Foto: Divulgação

O romance “O sofá estampado”, de Lygia Bojunga, foi publicado originalmente em 1980. Aqui temos a história do jovem tatu Vítor, que se apaixona por Dalva, uma gata angorá que ficou famosa por seus recordes de tempo vendo televisão.

A vida de Vítor sempre foi difícil. Desde criança precisa lidar com a própria timidez. Toda vez que tem de dizer algo importante, Vítor é acometido por um engasgo que trava as palavras no fundo da garganta. Além disso, tem de contornar a pressão do pai para que o filho assuma os negócios da família.

Vítor sente que a única pessoa, ou melhor… o único bicho que o entende é sua avó, que vive viajando pelo mundo defendendo causas ambientais e sociais e raramente vê o neto. O elo entre os dois é simbolizado pela mala da avó, e a partir de determinando momento torna-se um dos maiores desejos de Vítor.

A narrativa rompe com a estrutura linear clássica e alterna os tempos cronológicos e os pontos de vista. Além da história de Vítor, somos convidados a conhecer a saga de outro personagem importante, a hipopótamo Ipo, ou dona Popô, que é capturada na selva africana e trazida para um zoológico no Brasil. Aqui, tem a sorte de ser libertada por um hipopótamo rico e constrói uma grande agência de publicidade.

No livro “De Lobato a Bojunga – As reinações renovadas”, a pesquisadora Laura Sandroni compara Lygia Bojunga a Monteiro Lobato e aponta que “nos dois autores detectamos um talento comum; a fusão do real e do fantástico de maneira tão integrada que se torna difícil distinguir o momento da passagem de um para o outro. Os personagens fantásticos fazem parte da trama de forma tão espontânea que a narrativa nunca se torna artificial”. E diz que “em Lobato como em Lygia há o conhecimento intuitivo de que para a criança não há oposição entre essas duas formas de se sentir o mundo”.

Em “O sofá estampado”, Lygia retoma um tema anteriormente explorado em “A bolsa amarela”, que é a busca pela autoafirmação e do próprio lugar no mundo. Mas expande ao inserir questões sociais, como o preconceito e a desigualdade, e ambientais, como a destruição das florestas. O humor e uma leve ironia também permeiam a tecitura narrativa, mas isso se dá de maneira tão natural e amalgamada a outros elementos que um exemplo isolado não é suficiente para causar o efeito que a leitura completa é capaz de provocar.

“O sofá estampado” ganhou três prêmios: p Grande Prêmio APCA (Críticos Autorais); O Melhor para o Jovem – FNLIJ e o Prêmio Bienal Banco Noroeste de Literatura Infantil e Juvenil.

07 de dezembro de 2025, 09:00

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