Diretor do Ipac registra ocorrência após comentário racista nas redes sociais
Da Redação
O diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), Marcelo Lemos, registrou um boletim de ocorrência após ser alvo de um comentário racista nas redes sociais. O caso ocorreu após a publicação de um vídeo, na quinta-feira (11), em que o gestor afirmou ter a competência profissional questionada por ser um homem negro.
A ocorrência foi registrada na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), em Salvador. Segundo o relato, o comentário ofensivo foi feito após Marcelo Lemos conceder entrevista à Rádio Metrópole. Na publicação, um internauta afirmou que o diretor não teria condições de gerir o Ipac por “não cuidar nem do próprio cabelo”.
Nas redes sociais, Marcelo Lemos se pronunciou sobre o episódio e afirmou que não deixará o caso passar sem responsabilização. “Tentaram questionar minha competência a partir do meu cabelo, da minha estética, da minha identidade. Racismo é crime e o ambiente digital não é terra sem lei”, declarou. Ele também agradeceu ao secretário de Justiça do Estado, Felipe Freitas, e à secretária de Promoção da Igualdade Racial, Ângela Guimarães, pelo acompanhamento do caso.
O diretor destacou ainda a importância do enfrentamento ao racismo. “Para construirmos uma sociedade verdadeiramente antirracista, precisamos enfrentar cada violência com firmeza, responsabilidade e coragem”, afirmou.
No Brasil, o crime de racismo prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa, podendo ser agravada em situações específicas. A Lei nº 14.532/2023 equiparou a injúria racial ao crime de racismo, tornando ambos inafiançáveis e imprescritíveis.
Marcelo Lemos Filho assumiu a direção-geral do Ipac em junho do ano passado. Ele é historiador e já atuou como assessor parlamentar do senador Jaques Wagner, além de ter chefiado a Secretaria Especial de Articulação Institucional da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).







