PMs acusados de sequestrar e matar Geovane Santana irão a júri popular em abril de 2026, quase 12 anos após o crime
Da Redação
Quase 12 anos após o sequestro, assassinato e esquartejamento de Geovane Mascarenhas de Santana, sete policiais militares irão a júri popular no dia 27 de abril de 2026, em Salvador. O crime ocorreu em 2 de agosto de 2014, quando o jovem de 22 anos foi abordado por policiais da Rondesp BTS, levado para uma unidade da Polícia Militar no bairro do Lobato e executado, segundo a acusação.
O julgamento está marcado para começar às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, no Campo da Pólvora, conforme divulgação do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). Os réus respondem por sequestro, roubo, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e homicídio qualificado. A pena pode chegar a 40 anos de prisão.
Após o encerramento da fase de instrução, o juiz responsável pronunciou os acusados, mantendo integralmente as denúncias apresentadas pelo Ministério Público da Bahia (MPBA). A acusação sustenta que os policiais estiveram nos locais onde partes do corpo da vítima foram encontradas. A cabeça e a mão esquerda de Geovane foram localizadas carbonizadas em Campinas de Pirajá, enquanto o restante do corpo foi deixado no Parque São Bartolomeu.
Serão julgados o subtenente Cláudio Bonfim Borges; o sargento Daniel Pereira de Souza Santos; os soldados Roberto Santos de Oliveira, Alan Moraes Galiza dos Santos e Alex Santos Caetano; além do ex-soldado Jesimiel da Silva Resende, expulso da corporação por outro desvio de conduta. O soldado Jailson Gomes Oliveira também será julgado, mas não responde pelo crime de ocultação de cadáver.
Inicialmente, 11 policiais foram denunciados. No entanto, quatro acabaram absolvidos ainda na fase processual. Recursos apresentados pela defesa chegaram até o Supremo Tribunal Federal (STF), mas não impediram que o caso fosse levado ao Tribunal do Júri. Segundo a defesa da família, o julgamento deve durar ao menos dois dias, devido à complexidade do processo e ao número de testemunhas.
De acordo com o MPBA, Geovane foi executado dentro da sede da Rondesp, poucas horas após a abordagem policial. A motocicleta e o celular da vítima nunca foram encontrados. As investigações também apontaram manipulação de provas e envolvimento de outros agentes no crime.
Entidades do movimento negro acompanham o caso e cobram responsabilização. Para representantes da sociedade civil, o julgamento é visto como um marco no enfrentamento à violência policial e ao racismo estrutural.







