segunda-feira, 27 de abril de 2026

Alta de 28,6% nas exportações para a China compensa tarifaço americano

Foto: Divulgação

Da Redação

O avanço das exportações brasileiras para a China compensou a retração provocada pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos a partir de agosto, com sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros. É o que mostra o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Entre agosto e novembro, o valor das exportações brasileiras para a China cresceu 28,6% na comparação com o mesmo período de 2024. No sentido oposto, as vendas destinadas aos Estados Unidos recuaram 25,1%. O comportamento é semelhante quando analisado o volume exportado: alta de cerca de 30% para a China e queda de 23,5% para o mercado americano.

Segundo o estudo, a diferença entre a variação de valores e volumes está relacionada ao preço dos produtos exportados. A China, principal parceiro comercial do Brasil, responde atualmente por cerca de 30% das exportações nacionais, participação considerada decisiva para compensar o impacto negativo das restrições impostas pelos Estados Unidos.

“O presidente americano Donald Trump superestimou a capacidade dos Estados Unidos em provocar danos gerais às exportações brasileiras”, afirma o relatório do Icomex, elaborado com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Setores mais afetados

Os segmentos que registraram as maiores quedas nas exportações para os Estados Unidos, entre agosto e novembro, foram extração de minerais não metálicos (-72,9%), fabricação de bebidas (-65,7%), produtos do fumo (-65,7%), extração de minerais metálicos (-65,3%), produção florestal (-60,2%), produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-51,2%), e produtos de madeira (-49,4%).

Comportamento ao longo do ano

A FGV destaca que, antes do tarifaço, o volume exportado para os Estados Unidos vinha em trajetória de crescimento. De abril a julho, houve alta contínua na comparação com os mesmos meses de 2024. Com a entrada em vigor das sobretaxas, no entanto, seguiram-se quatro meses consecutivos de retração.

Já as exportações para a China ganharam força justamente após o início das medidas americanas, com taxas expressivas de crescimento a partir de agosto, chegando a altas superiores a 40% em novembro.

Para a FGV, os dados indicam uma reorganização do comércio exterior brasileiro, com maior dependência do mercado chinês para absorver a produção nacional em um cenário de restrições impostas pelos Estados Unidos.

18 de dezembro de 2025, 18:00

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