segunda-feira, 27 de abril de 2026

Novo salário mínimo injetará R$ 81,7 bi na economia, estima Dieese

Foto: Marcelo Casal/ Agência Brasil

Da Redação

Previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro e começar a ser pago a partir de fevereiro, o novo salário mínimo de R$ 1.621 deve movimentar cerca de R$ 81,7 bilhões na economia brasileira, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O impacto considera o aumento da renda disponível, o estímulo ao consumo e os efeitos indiretos sobre a arrecadação, mesmo em um cenário de maior rigor fiscal.

De acordo com o levantamento, aproximadamente 61,9 milhões de pessoas terão seus rendimentos diretamente influenciados pelo novo valor. Entre elas estão 29,3 milhões de aposentados e pensionistas do INSS, 17,7 milhões de trabalhadores com carteira assinada, 10,7 milhões de autônomos, 3,9 milhões de empregados domésticos e cerca de 383 mil empregadores.

O reajuste representa um aumento nominal de 6,79% em relação ao salário mínimo atual e segue as diretrizes da política permanente de valorização do piso nacional. Apesar dos efeitos positivos sobre a renda da população, o Dieese destaca que a elevação do mínimo tem impacto significativo sobre as contas públicas, já que grande parte dos benefícios sociais e previdenciários é indexada ao valor.

A estimativa é que o aumento gere um acréscimo de aproximadamente R$ 39,1 bilhões nas despesas da Previdência Social em 2026. Cada R$ 1 incorporado ao salário mínimo implica um custo adicional de cerca de R$ 380,5 milhões para o governo federal. Atualmente, quase metade dos gastos previdenciários é diretamente afetada por reajustes do piso, e cerca de 70,8% dos beneficiários recebem valores atrelados ao mínimo.

O cálculo do novo salário segue a Lei nº 14.663, sancionada em 2023, que estabelece a correção anual com base na inflação medida pelo INPC e no crescimento do Produto Interno Bruto de dois anos antes. Para 2026, no entanto, a aplicação da regra sofreu limitação em razão do novo arcabouço fiscal.

Nesse cenário, a inflação acumulada de 4,18% foi considerada integralmente, enquanto o crescimento do PIB, de 3,4%, teve seu efeito reduzido ao teto de 2,5%, percentual máximo permitido pelo regime fiscal em vigor. A combinação desses fatores resultou em um aumento nominal de R$ 103 no salário mínimo, ampliando a renda de milhões de brasileiros, mas também reforçando o desafio do governo em conciliar política social e controle das despesas obrigatórias.

26 de dezembro de 2025, 16:37

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