domingo, 10 de maio de 2026

Internações por transtornos mentais entre jovens dobram na Bahia em cinco anos

Foto: Reprodução/Artmed

Da Redação

O número de internações por transtornos mentais e comportamentais entre crianças e adolescentes na Bahia mais do que dobrou em cinco anos, evidenciando o agravamento de um problema que tem mobilizado profissionais de saúde e educadores. Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS indicam que as hospitalizações de pacientes entre 0 e 19 anos passaram de 237, em 2020, para 482, em 2024, alta de 103%.

O avanço é significativamente superior ao registrado no conjunto da população. Considerando todas as faixas etárias, o crescimento das internações por transtornos mentais no estado foi de 40,6% no mesmo período, saltando de 4.586 para 6.448 casos. Em 2025, mesmo com dados disponíveis apenas até novembro, crianças e adolescentes já somavam 447 internações, número próximo ao total de todo o ano anterior.

Especialistas apontam que sinais como alterações no sono e no apetite, irritabilidade, baixa tolerância à frustração e mudanças bruscas de comportamento — muitas vezes associadas a adultos — também se manifestam em pacientes mais jovens. Quadros de ansiedade e depressão têm sido diagnosticados cada vez mais cedo, inclusive na infância.

Pesquisas acadêmicas reforçam essa tendência. Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, publicado em 2023 pela Faculdade de Medicina da instituição, identificou associação entre o uso excessivo de telas e a piora da saúde mental em diferentes faixas etárias. Entre crianças, o levantamento apontou aumento de 72% nos casos de depressão relacionados à exposição prolongada a dispositivos eletrônicos.

O tema integra o centro das discussões do Janeiro Branco, campanha nacional voltada à promoção da saúde mental e emocional, criada em 2014. Em 2026, a iniciativa traz como lema “paz, equilíbrio, saúde mental”, reforçando a necessidade de atenção precoce, prevenção e ampliação da rede de cuidado voltada ao público infantojuvenil.

Profissionais da área alertam que o crescimento das internações reflete não apenas maior diagnóstico, mas também fragilidades no acompanhamento contínuo fora do ambiente hospitalar, o que torna o debate sobre políticas públicas e prevenção ainda mais urgente.

26 de janeiro de 2026, 08:00

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