Brasil registrou 84,7 mil desaparecidos em 2025; média de 232 por dia
Da Redação
O Brasil contabilizou 84.760 registros de pessoas desaparecidas em 2025, média de 232 por dia e alta de 4,1% em relação a 2024, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O avanço ocorre apesar da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, criada em 2019.
Desde 2015, o total só caiu em 2020 e 2021, período marcado pela pandemia, quando houve subnotificação. “Há um consenso de que esta queda momentânea foi causada pela pandemia, pelo fato das pessoas terem que ficar em casa”, afirmou Simone Rodrigues, do Observatório de Desaparecimento de Pessoas da Universidade de Brasília (UnB).
O número de pessoas localizadas também cresceu: foram 56.688 em 2025, aumento de 2% ante 2024. Segundo a pesquisadora, o avanço reflete tanto mais casos quanto melhorias na busca. “Tenho visto um maior empenho… na interoperabilidade dos dados e na comunicação entre instituições”, disse.
Ainda assim, especialistas alertam para subnotificação e complexidade dos casos, muitas vezes ligados a crimes. “As dinâmicas dos casos de desaparecimento são complexas e diversas”, ponderou Simone, citando violência doméstica, tráfico de pessoas e ocultação de cadáveres.
Entre os desaparecidos em 2025, 28% tinham menos de 18 anos. Os casos envolvendo crianças e adolescentes cresceram 8% em um ano; entre eles, 62% são meninas. “O Estado tem a obrigação de buscar qualquer pessoa desaparecida, principalmente crianças e adolescentes”, afirmou a especialista.
A política nacional avançou, mas ainda enfrenta entraves. O Cadastro Nacional só foi criado em 2025 e reúne dados de 12 estados. Para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o aumento não indica necessariamente crescimento real e há expectativa de integrar os demais estados ao cadastro no primeiro semestre de 2026.








