quinta-feira, 7 de maio de 2026

Março Mulher: Ireuda Silva questiona representatividade de Érika Hilton para Comissão da Mulher

Foto: Divulgação

Da Redação

A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara de Salvador, vereadora Ireuda Silva (Republicanos), criticou a eleição da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Em declaração, a parlamentar afirmou respeitar o processo democrático e destacou que sua posição não é contra a deputada, mas sim um questionamento sobre representatividade dentro de um espaço criado para fortalecer a voz das mulheres.

Segundo Ireuda, a comissão foi instituída justamente para ampliar o protagonismo feminino nas instâncias de decisão política e, na sua avaliação, a escolha de uma mulher trans para presidi-la levanta um debate importante sobre a vivência das mulheres que nasceram biologicamente mulheres.

“Respeito o processo democrático, mas considero essa escolha um grande equívoco. A Comissão da Mulher foi criada justamente para fortalecer o protagonismo feminino nos espaços de decisão”, afirmou.

A vereadora ressaltou que reconhece que o Brasil é um país plural e que respeita as liberdades individuais No entanto, argumenta que a experiência de vida de uma mulher trans é diferente da experiência de uma mulher cisgênero, sobretudo em questões relacionadas à maternidade, à saúde feminina e às formas específicas de violência e exclusão social enfrentadas historicamente pelas mulheres.

“Embora eu respeite a individualidade de cada um, pois vivemos num país plural, a experiência de vida de uma mulher trans é bem diferente da nossa. Na maioria das vezes, não enfrentamos os mesmos preconceitos, nem os mesmos desafios e necessidades. São batalhas diferentes, e isso não pode ser ignorado”, declarou.

Para Ireuda Silva, o ponto central da discussão não é pessoal, mas institucional. A vereadora questiona se a deputada tem representatividade suficiente para compreender plenamente as demandas das mulheres que nasceram biologicamente mulheres e conduzir políticas públicas voltadas para esse público.

Ela também destacou que, em um país onde as mulheres ainda são minoria nos espaços de poder, a presidência de uma comissão criada para defender seus direitos deveria priorizar lideranças que tenham vivido diretamente essas experiências.

“Num país em que as mulheres ainda são minoria na política, retirar esse espaço de liderança das próprias mulheres é um retrocesso. As mulheres carregam experiências muito específicas: a desigualdade no mercado de trabalho, a violência, a maternidade muitas vezes sem apoio, a dupla ou tripla jornada. Essa vivência faz diferença na forma de compreender e conduzir políticas públicas voltadas para as mulheres cis”, afirmou.

A vereadora concluiu reforçando que a luta feminina sempre foi por voz, espaço e liderança nas instâncias de decisão.

“A luta das mulheres sempre foi por voz, espaço e liderança. E não podemos abrir mão disso”, finalizou.

13 de março de 2026, 19:30

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