Bartolomeu Campos de Queirós e sua releitura das Escrituras
Guilherme Reis
“Escritura” (Global), de Bartolomeu Campos de Queirós, pode parecer um título voltado para o público infantil ou juvenil — e de fato ele costuma ser apresentado assim. Mas basta começar a leitura para perceber que se trata de uma obra que conversa com todas as idades. É daqueles livros que podem ser lidos por crianças, jovens e adultos, cada um encontrando ali uma camada diferente de sentido.
Bartolomeu Campos de Queirós, que é um dos grandes nomes da literatura infantojuvenil brasileira, constrói aqui um texto delicado, escrito com a linguagem poética e sofisticada que é uma marca do autor. Em “Escritura”, ele recria episódios da tradição bíblica não como uma simples narrativa religiosa, mas como verdadeiros contos-poema.
A leitura é cheia de imagens e metáforas. A história da criação, a figura de Maria, a presença de José e os símbolos que atravessam essas narrativas aparecem reinventados pela imaginação do autor. Não é uma recontagem literal, mas uma espécie de releitura poética.
Outro aspecto muito bonito do livro são as ilustrações de Lelis, ajudando a construir uma atmosfera muito delicada. São imagens suaves, que ampliam a experiência da leitura e dão ao livro um caráter quase contemplativo.
Embora muitas pessoas associem obras como essa ao período do Natal, “Escritura” não é um livro de ocasião. Ele não pertence apenas a uma época do ano. É uma leitura que pode ser feita em qualquer momento, justamente porque fala de temas universais: origem, fé, linguagem, imaginação e humanidade. Por isso, é também um livro muito interessante para presentear.
Não por acaso, “Escritura” é considerado um dos clássicos da obra de Bartolomeu Campos de Queirós, um autor que soube, como poucos na literatura brasileira, transformar a palavra em experiência, emoção e encantamento.








