Condenados pela morte de Mãe Bernadete recebem penas de até 40 anos em Salvador
Da Redação
O julgamento do assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, foi concluído na noite desta terça-feira (14), em Salvador, com a condenação de dois réus. Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos foram sentenciados a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão e 29 anos e 9 meses, respectivamente. Ambos cumprirão pena em regime fechado.
O caso foi julgado pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, em sessão realizada no Fórum Ruy Barbosa. O julgamento teve início na manhã de segunda-feira (13) e se estendeu até a noite de terça, com a participação de sete jurados, além de representantes do Ministério Público, assistência de acusação e defesa.
O crime ocorreu em setembro de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Segundo o Ministério Público da Bahia, Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, foi o mandante do assassinato, enquanto Arielson, chamado de “Buzuim”, executou a líder quilombola.
De acordo com a acusação, ambos integram o grupo criminoso Bonde do Maluco (BDM), e o crime foi motivado pela oposição de Mãe Bernadete à atuação da organização na região do quilombo.
Em nota, a Anistia Internacional classificou a condenação como um “avanço relevante”, destacando o contexto de violência contra defensores de direitos humanos no Brasil. A entidade, no entanto, ressaltou que ainda há outros envolvidos no crime sem julgamento e cobrou o fortalecimento do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos.
A organização também apontou falhas na proteção estatal, lembrando que Mãe Bernadete já havia denunciado ameaças e integrava o programa de proteção à época do crime.
Outros três suspeitos — Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ”, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus — foram denunciados pelo Ministério Público, mas ainda não têm data definida para julgamento.








