sábado, 25 de abril de 2026

Denúncias revelam suposto elo entre PMs da Rota e PCC e plano para matar Moro em 2023

Foto: Isac Nóbrega/PR

Da Redação

Um esquema envolvendo policiais militares da Rota e integrantes do Primeiro Comando da Capital veio à tona após denúncias que também apontaram um plano da facção para assassinar o senador Sergio Moro e o promotor Lincoln Gakyia, em 2023.

As informações constam em depoimento prestado por Gakyia à Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, o promotor investiga há mais de duas décadas a atuação do PCC.

O caso ganhou novos desdobramentos após a citação do então comandante-geral da corporação, José Augusto Coutinho, em um inquérito policial militar, o que levou à sua saída do cargo. Segundo Gakyia, suspeitas de vazamento de informações por policiais do setor de inteligência da Rota foram comunicadas ao comando, mas não há registro de providências adotadas.

As investigações indicam que o possível envolvimento de agentes com a facção foi revelado em 2021, a partir do depoimento de um integrante do PCC que passou a colaborar com as autoridades. Ele afirmou que Marcos Roberto de Almeida, então apontado como líder da facção nas ruas, teria escapado de uma operação policial após receber informações antecipadas.

Em fevereiro de 2023, o mesmo informante relatou a existência de um plano para assassinar Gakyia e Moro. Segundo o depoimento, o responsável seria um integrante da cúpula do PCC conhecido como “Nefo”, ligado à chamada “sintonia restrita” da organização criminosa.

A partir dessas informações, a Polícia Federal do Brasil deflagrou a Operação Sequaz, que resultou na prisão de Janeferson Aparecido Mariano, apontado como um dos articuladores do plano.

Outro desdobramento envolve a empresa Transwolff, que operava linhas de ônibus em São Paulo e teve contrato rompido pela prefeitura. Um policial militar preso no âmbito das investigações afirmou que o então comandante da PM teria sido informado sobre irregularidades, mas não teria adotado medidas.

O conjunto das denúncias resultou na abertura de inquérito policial militar, com a prisão de três policiais e a realização de buscas contra 16 investigados. Em uma das ações, foram apreendidos cerca de R$ 1 milhão em dinheiro em endereços ligados ao caso.

21 de abril de 2026, 12:00

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