quinta-feira, 30 de abril de 2026

Justiça condena Igreja Universal a devolver R$ 33 mil a idosa com autismo por coação moral

Foto: Divulgação

Da Redação

A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada pela Justiça de São Paulo a devolver R$ 33 mil doados por uma aposentada de 60 anos, diagnosticada com autismo, após reconhecer que houve coação moral na arrecadação. A decisão também fixou o pagamento de R$ 8 mil por danos morais.

A sentença foi proferida pela juíza Daniela Murata, da 1ª Vara Cível de São Paulo, que entendeu que a instituição religiosa explorou a vulnerabilidade emocional e psicológica da vítima, além de sua fé. O caso ocorreu em 2022, em um templo localizado no bairro da Lapa, zona oeste da capital paulista.

Segundo relato da aposentada, ela enfrentava problemas familiares quando foi orientada por pastores a “sacrificar” suas economias como forma de alcançar uma solução espiritual. De acordo com a ação, a doação seria uma maneira de “provar” sua fé a Deus e afastar supostas influências negativas em sua vida.

A defesa da mulher sustentou que a oferta foi feita sob pressão psicológica, com a crença de que, caso não realizasse o pagamento, poderia sofrer consequências espirituais, como uma “maldição”. Os advogados afirmaram que a igreja se aproveitou da fragilidade emocional da cliente e de sua condição clínica.

Um relatório médico anexado ao processo apontou que a aposentada apresenta “déficit significativo e persistente da comunicação e interação social”, além de prejuízos funcionais, o que reforçaria sua condição de vulnerabilidade.

Na decisão, a magistrada considerou que houve uma “ameaça velada, mas eficaz”, capaz de influenciar diretamente a decisão da fiel. “A doação deixa de ser um ato de liberalidade para se tornar uma condição imposta para afastar um mal e alcançar uma solução prometida”, destacou.

A defesa da igreja alegou que a mulher possuía plena capacidade de discernimento e que a doação foi realizada de forma voluntária. A instituição também afirmou que não obriga fiéis a contribuir financeiramente e classificou como “falaciosas” as acusações de coação.

Durante o processo, a igreja citou declarações de seu fundador, Edir Macedo, para sustentar que as contribuições são espontâneas. No entanto, os argumentos foram rejeitados pela Justiça.

Cabe recurso da decisão.

30 de abril de 2026, 17:15

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